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EXCLUSIVO (3ª parte) - Rui Bento Vasques em grande entrevista! Todas as novidades...


2012-01-31 18:45:00

A terceira e última parte da entrevista concedida por Rui Bento Vasques ao TouroeOuro, revela todos os pormenores ainda não anunciados e que espelham as tendências da temporada no Campo Pequeno.
Fernandes provavelmente vai estar no cartel de abertura…’.
 

TeO – E Madrid, foi uma surpresa…
 
RBV - Sim foi uma surpresa que nós ponderámos…
 
TeO – Mas qual foi a Vossa real motivação?
 
RBV - Foi um convite que me foi feito a mim pelo facto de levar a gestão de seis anos consecutivos numa praça de touros de primeira categoria. Eu por uma questão de lealdade, achei que não daria esse passo se não fosse em conjunto com o Campo Pequeno e demo-lo conscientemente.
Estrategicamente as coisas só foram apresentadas no último momento porque tinha de ser assim. Era a forma de podermos ir nas condições económicas que fomos, sendo que a maioria das pessoas estavam convencidas que não se podia apresentar mais nenhuma empresa. Nós legalmente fizemos os nossos contactos, conseguimos os certificados do que pedimos e estrategicamente teria de ser assim, no ultimo momento para que não levantássemos lebres em relações a outras empresas… porque houve alguém da Comunidade de Madrid que confundiu a maioria dos empresários, dizendo que tinha de haver gestão dos últimos três anos em ‘praças de primeira’ e não eram os últimos três anos, mas sim, três anos.
Sabíamos que isso tinha criado confusão, sabia de alguns empresários com quem trabalhei e tenho contactos de que eles estavam confundidos.
Nós fizemos uma proposta em função do caderno de encargos muito consequente, aliás a nível de planeamento da temporada muito igualada à da Taurodelta, com a particularidade de que aqui a experiência não era avaliada a nível de pontuação e sim era avaliada a parte económica. Como nós tínhamos conhecimento que a parte económica iria ser ao mínimo, fizemos com que a nossa fosse um pouco superior, a maior pontuação que era 25 pontos viria directamente para nós.
Agora, percebe-se que houve manobras quando constataram que nos tínhamos apresentado… havia que nos tirar do meio, gerou-se uma situação de quase pânico, movimentos que vocês nem vos passa pela cabeça de todo o tipo e das mais diversas pessoas…
Inventaram a história de que na nossa sociedade estava um grupo de segurança que faz parte do caderno de encargos. Vinha no ‘pliego’ de Madrid que obrigatoriamente não só em Madrid como em qualquer outra praça têm de haver equipas de segurança e os tipos inventaram por aí que não era o objecto de montar espectáculos. Disseram que uma empresa de segurança não monta espectáculos. Precisamente, o objecto da empresa de segurança, era fazer segurança. O projecto, tínhamos nós. O Campo Pequeno, o Tomas Entero e Beca Belmonte que tem 4 anos de gestão.
Houve efectivamente necessidade de nos matar à nascença.
De qualquer das formas há vários recursos que estão na Comunidade de Madrid. Só não avançam porque oficialmente a praça não está adjudicada, que é uma coisa que as pessoas desconhecem…
 
TeO – Mas comportam-se como oficiais empresários de Madrid…
 
RBV - Disseram para que avançassem nesta temporada… mas podem ter a certeza de que muita coisa pode acontecer.
 
TeO - Havia também aqui alguma intenção de elevar o nome de Portugal lá fora?
 
RBV - Havia claramente a intenção de alargar os nossos horizontes empresariais… obviamente se metemos pé na primeira praça do mundo, a nossa marca, entrará na Monumental de Madrid.
Independentemente de lá estar uma empresa muito importante, nós achamos, que o nosso modelo de gestão e a nossa forma de trabalhar no Campo Pequeno feita em Madrid também pode funcionar.
Eu pessoalmente acho que em Madrid falta regeneração de juventude. Criar um ambiente no entorno e nos arredores da praça e tudo o que é um sucesso no Campo Pequeno pode também funcionar por lá, independentemente do espectáculo de Espanha ser diferente de Portugal. Precisamente por ter vivido 30 anos em Espanha, por ter sido matador de toiros, por ter trabalhado com a Casa Chopera, por fazer a gestão de toureiros e por ter a experiência que tenho na gestão do Campo Pequeno e das demais praças que também gerimos é que abraçamos um projecto com o convencimento de que iríamos fazer um bom trabalho…
Sabíamos que iríamos criar dúvidas, mas são precisamente as mesmas dúvidas de quando cheguei há seis anos ao Campo Pequeno e que não tinha a experiência que tenho agora, foram também levantadas.
Se fizemos um bom trabalho no Campo Pequeno, porque não poderíamos faze-lo em Madrid?
 
TeO - Rui. Falemos desta temporada no Campo Pequeno. Que novidades, nos pode contar?
 
RBV - Há contactos com o Pablo, pode vir na terceira ou quarta da temporada. Há contactos ou tentativa de sensibilização com o Ventura para que pondere a decisão de vir a Portugal, penso que era importante. Penso que não deveria vir a muitas corridas mas acho que há duas ou três praças onde deveria de vir.
Há contactos com o Salvador Boix, pelo José Tomás, gostávamos de traze-lo num acontecimento, por exemplo o da comemoração dos 120 anos da praça, aliás, toda a temporada vai ser comemorativa dos 120 anos e cada corrida da temporada de abono gostaríamos que tivesse uma chancela, um ‘naming’, que marcasse um ponto de diferenciação, que cada corrida tivesse um motivo.
O Rouxinol vai comemorar 25 anos, com quem ainda não falei, não temos ainda nada feito, mas seria por exemplo o dia da comemoração dos ‘25 anos de alternativa do Luis Rouxinol’… Se o José Tomas viesse seria o dia de comemoração dos 120 anos da praça com a máxima figura ou pelo menos aquele que mais mediatiza, e assim sucessivamente e tentar criar atractivos para que todas as corridas tenham uma marca especial.
Vai por exemplo haver uma corrida (que ainda nem sei a data), dos ‘60 anos do Fundo de Assistência dos Toureiros’.
A ‘Corrida de Gala à Antiga Portuguesa’ será a ultima do abono, que já é uma tradição.
 Tenho um almoço marcado com o Octávio Ribeiro, no intuito de refazer a corrida ‘Vidas’ do ‘Correio da Manhã’.
Haverá corridas televisionadas, garantidamente menos que na temporada passada. Na TVI queriam mesmo acabar com elas, pode haver alguma, mas certo mesmo que haverá uma redução e na RTP também, o que eu por outro lado acho que era importante que assim fosse… neste momento temos que ter muito cuidado… mas há contactos e conversações adiantadas e que estou à espera que se confirmem.
Verdadeiramente, toureiros contratados, não há nenhum.
Há conversações com o Pablo e também com a perspectiva que venha à Figueira da Foz.
Com o João Moura, reuni na segunda-feira e vou-me reunir outra vez esta semana.
Com o Rui Fernandes também já falei. Fernandes provavelmente vai estar no cartel de abertura porque ele próprio garantiu que não iria tourear em Portugal antes de tourear em Lisboa e estou a ver as ganadarias.
Esta semana confirmei a novidade de que a ganadaria do Eng. Silva vai a Lisboa penso que depois de vinte e tal anos que já não lida uma corrida no Campo Pequeno. E é uma corrida imponente que está já apalavrada, com uma apresentação excelente e há outras ganadarias ‘touristas’ que também estão em conversações e que esta semana espero avançar… numa forma geral, os Passanhas vão estar, os Vinhas vão estar, os Pintos Barreiros, vão estar os São Torcato na primeira corrida mista que será a 3 de Maio, sem que haja nada no cartel mas que já era nossa desde o ano passado e será lidada a 3 de Maio.
Será uma linha um bocadinho mais ‘tourista’ que estes anos atrás. Gostávamos que viessem 3 ou 4 ganadarias que não vieram nunca. Vai haver alguma que consoante os resultados dos últimos tempos que não foram os melhores, não quer dizer que vamos deixar de comprar, mas podem eventualmente não vir… e a nível das figuras de Portugal, estamos a contar com todos e entre todos estabelecer atractivos estabelecidos em níveis de competitividade e talvez não vamos optar tanto em carteis só com jovens porque a experiência do ano passado não teve a resposta de publico que nós esperávamos.
Não quer dizer que não tenha havido actuações dos cavaleiros muito boas. Temos que criar condições e uma estrutura, de forma a que, os cartéis tenham um atractivo e que economicamente possa haver um equilíbrio e uma compensação.
 
A nível de novilheiros temos um projecto e que independentemente deste encontro de escolas, que tem sido feito nestes últimos anos em parceria com a Piriquita, da Arruda dos Vinhos. Dizia eu, há um projecto das três escolas, Moita, Vila Franca e Academia do Campo Pequeno, e talvez a escola de Badajoz… vamos lança brevemente o projecto alargarmos um bocadinho a possibilidade de extensão de oportunidades, mas isso vai ser lançado, alias, vai ser posto em estrutura mas só depois deste encontro, mas vai haver a preocupação de se fazer uma coisa que tenha repercussão e continuidade… vai haver uma preocupação não só com a Academia do Campo Pequeno, mas de uma forma global das três escolas das cidades mais representativas. Mas esse projecto será devidamente apresentado e que não depende só do Campo Pequeno.
 
O Campo Pequeno arranca com o ‘V Encontro de Escolas Taurinas’, depois também, sabem que é há festa do forcado que efectivamente terá uma alteração de dia para não colidir com Santarém, para que de alguma forma possamos compatibilizar os interesses de toda a gente, eventualmente também aí, haverá uma aula pratica de toureio a cavalo, que terá relacionado com a Academia, mas também não esta ainda estruturada. Arranca a temporada a 12 de Abril, depois as datas já são conhecidas.
 
Quanto à Figueira e à Nazaré também é igual, vamos manter o mesmo número de espectáculos. Começaremos a 21 na Nazaré e a 22 de Julho na Figueira da Foz, as outras datas terão de ser estudadas.
Na Nazaré serão os sábados de Agosto, e depois as festas da Confraria da Nossa Senhora da Nazaré, sempre a 8 e 9 de Setembro…
 
TeO - E o Andy Cartagena…?
 
RBV - Esteve anunciado o ano passado e este ano parece que vai regressar ao activo…
Falei com o Santiago Lopes, seu apoderado que me falou do Urdiales, não me falou do Cartagena, mas isto foi há um mês e meio e ainda não tinha claro que iria reaparecer mas não sei ate que ponto é que este ano terá interesse em cá vir. O ano passado chegamos a um consenso. Não sei se virá talvez o Leonardo, isto em termos de rejoneadores. Todos os outros pedem para cá vir.
Eu considero que o Ventura deveria de ponderar a decisão de cá vir, independentemente de ter as suas razões e acho que faz falta…
 
TeO - Mesmo tendo havido aquela controvérsia cujo maior palco foi o Campo Pequeno?
 
RBV - Eu penso que a controvérsia é necessária. É evidente que os toureiros por vezes têm comportamentos que depois têm as consequências, mas na perspectiva empresarial continuo a dizer que a controvérsia queria discussão e na discussão está a possibilidade das coisas darem a volta…
 
TeO - Houve ou haverá contactos com Pedrito de Portugal?
 
RBV – Já houve!
Aproveito para dizer para que ele o saiba. Liguei-lhe, perguntei-lhe com quem tinha que falar, se sempre era com o Corbacho, disse-lhe que queria contar com ele para a primeira corrida da temporada para o Campo Pequeno, pedi-lhe que numa semana respondesse e já passou um mês…

TeO - A abertura poderia ser então uma corrida mista?
 
RBV - A abertura não, mas a segunda, a de 3 de Maio, sim, aliás falei-lhe a ele que era esse corrida…
 
TeO - Falou-se de Padilla para abertura…
 
RBV - Houve contacto mas nada ainda certo.
Havia e pedido por ele próprio através de Diego Robles a intenção de vir ao Campo Pequeno, mas isto antes de… concretamente agora houve um contacto, mas concretamente havia o desejo de ele vir antes do acidente. Imagino que agora mais e com até mais interesse. Pensei que tourearia menos mas é um toureiro que pode vir. Igual que José Tomás.
 
TeO – E por exemplo…Enrique Ponce?
 
Não está pensado, penso que este ano em função da economia e dos resultados concretos das grandes figuras, não…! Penso que poderemos trazer o Ferrera, como triunfador, talvez o Mora, o Fandiño, toureiros que têm o máximo interesse, que estão nas principais feiras e que provavelmente venha aqui dar a cara, do grupo G-10 tiveram quase todos, e o Talavante esteve anunciado e já me pediu desculpa, disse que estava em divida comigo e que não se tinha portado bem.
Já passaram por cá todos, O Cid, o Perera, o Morante, o Juli…
 
 
TeO - O Rui sente-se o ‘rosto’ da tauromaquia portuguesa?
 
RBV - Trato de ser o mais profissional possível e garanto-vos que não sou eu que ligo aos meios de comunicação, são eles que me ligam a mim…
Isso é o reflexo dos 30 anos que levo em Espanha, desde toureiro, a gestor e apoderado e penso que de alguma forma será o taurino que eles se calhar mais facilmente identificam e se calhar o que mais facilmente procuram.
Penso que sou um taurino ibérico, e quando digo taurino, falo em estar integrado na realidade da festa e penso que o trabalho que tenho desenvolvido tanto em Espanha, como no Campo Pequeno, como apoderado de toureiros com a Casa Chopera ou de uma forma independente como fiz com António Ferrera, tenho desenvolvido um trabalho que está considerado e que está na mente das pessoas.
Como português e patriota sinto-me satisfeito e sinto-me orgulhoso de que um português esteja no centro da atenção do mundo taurino a nível internacional…
Preocupa-me que na maioria dos casos não haja uma preocupação com o futuro da festa mais a médio e longo prazo como eu faço. Eu preocupo-me muito como futuro da festa porque me preocupo com o meu próprio futuro, com o dos meus filhos, e com a minha grande paixão que é o toureio…
 
 


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