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Chamusca - Faltou o sal e a pimenta

  • 2021-10-03 03:00
  • Autor: Rodrigo Viana
  • Autor da Foto: Rodrigo Viana


Realizou-se na tarde de Sábado, uma corrida de touros com palco na Praça de Touros da Chamusca.
Em cartel estiveram os cavaleiros Filipe Gonçalves, António Prates e José Garrido.
As pegas estiveram a cargo dos Amadores de Alcochete e Aposento da Chamusca.
Lidaram-se toiros da ganadaria de Torre de Onofre.
O tauródromo Chamusquense, registou fraca entrada de público.
CRÓNICA DA CORRIDA

O nosso país e o Ribatejo são, sem margem para dúvidas, locais onde se pode apreciar boa comida e boa bebida. Contudo, quando nos deslocamos a um restaurante e nos servem comida insípida, o mais natural é não ter vontade de lá voltar. Fazendo a analogia, claramente que esta é daquelas tardes, em que se sentiu isso, tendo os aficionados saído, sem que houvesse grande coisa a relembrar.
Acredito que as intenções da empresa organizadora e dos artistas tenham sido as melhores, porém há tardes assim, e nem sempre resulta como se quer. O curro de toiros da ganadaria Torre de Onofre, saiu com escassa apresentação, pouco trapio, falta de força e apenas a diversidade de pelagens e a cara que possuíam chamavam à atenção.

Filipe Gonçalves abriu a tarde, frente a um toiro moteado de capa, que denotou mobilidade, perseguindo a montada e acudindo aos cites do ginete. Todavia a simbiose entre toureiro e touro não ocorreu. Houve lugar a várias passagens em falso, numa lide intermitente, que decorreu sem que houvesse concessão de música e volta autorizada por parte da inteligência. Destaque positivo nesta sua primeira atuação para o terceiro curto cravado numa reunião cingida. Frente ao quarto de tarde, um ensabanado com boas intenções mas escassez de força, o cavaleiro do Algarve tentou dar-lhe a lide indicada, bregando com qualidade e cravando dois ferros de boa nota e que levaram a que soassem os acordes da banda. Terminou com um par de bandarilhas de excelente execução e um palmito.


António Prates iniciou funções nesta tarde, com um comprido deixado a sesgo, mostrando desde cedo as qualidades (ou a falta delas) que o seu oponente possuía. Se há coisa que não se pode dizer, é que tenha faltado a vontade ao toureiro, mas perante a matéria-prima que tinha por diante, era difícil fazer muito melhor. O primeiro curto foi deixado, com consentimento de um toque na montada, elevando de seguida a fasquia, ao cravar um segundo curto com vistosa batida ao pitón contrário e que resultou em pleno. Terminou esta sua primeira atuação com um palmito. Frente ao quinto da ordem, um sardo de capa que substituiu um toiro que se lesionara nos curros do tauródromo, não houve grandes possibilidades de triunfo, devido ao pouco jogo que a rês permitiu. Assim sendo, a emoção não chega às bancadas e torna-se muito mais complicado o papel dos cabeças de cartaz. Valeu pela última bandarilha curta, num palmo de terreno, em que o ginete impõe uma acentuada batida ao pitón contrário, cravando com eficácia.

José Garrido apresentava-se na Chamusca com vontade de triunfar, mas a sorte também não esteve consigo. O primeiro de seu lote, de mau tipo, perdido de manso com pouca franqueza na investida, não deu qualquer hipótese ao diestro de se mostrar. Faena de muleta muito curta e a abreviar perante a aceitação completa do conclave que compreendeu e aceitou bem a sua decisão. No último toiro da tarde, o matador de toiros deu um ar da sua graça, iniciando o tércio de capote com um quite de verónicas terminada com uma meia e seguindo-se um outro de chicuelinas. Com a flanela rubra, perseguiu o oponente para lhe tentar tirar tudo o que tinha dentro, o que a muito custo lá foi conseguindo, havendo lugar a uma série de derechazos em terrenos de dentro, com o toiro de forma constante a querer escapar. Destaque para três excelentes pares de bandarilhas do peão de brega português, Filipe Gravito, que integrou a quadrilha do matador extremeño.

No que diz respeito aos forcados, pela formação que viajou desde Alcochete, avançaram na linha da frente João Dinis e João Maria Pinto e pela formação do Aposento da Chamusca pegaram Francisco Montoya e João Diogo, todos eles ao primeiro intento, numa tarde facilitada pela pouca força exibida pelos astados saídos ao ruedo.

Direção de corrida a cargo de Marco Cardoso, assessorado pelo Dr. José Manuel Lourenço, sendo que o tauródromo situado no Coração do Ribatejo apresentou uma fraca presença de público.
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