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Ventura e o 'vinte' ao poder no Redondo

  • 2018-03-11 02:12
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se na tarde de sábado, no Coliseu do Redondo, um festival com a já inconfundível marca da Rádio Campanário.
Praça ESGOTADA e uma actuação de antologia de Diego Ventura, marcaram a tarde, que foi de triunfo também para Rui Fernandes.
Actuaram ainda frente a reses de Prudêncio, os cavaleiros António Telles, Filipe Gonçalves, João Moura Júnior e Mara Pimenta, com pegas a cargo dos Amadores de Évora e Redondo.

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Não foram de máxima potabilidade as reses de Prudêncio, condicionando de alguma forma, as actuações dos toureiros presentes, ontem em cartel.
Uns melhores que outros, mas, na generalidade com pitada de características de mansos e sobretudo, com forte aptidão para tábuas.
Valeu a disposição dos toureiros e do público, que, apesar de um ou outro deslize, soube respeitar e acarinhar os artistas, ou não fosse a jornada, de autêntico regozijo para a Festa...
António Telles andou regular, ao seu jeito clássico, bem como Moura Júnior, andando de morno a mais quentito, sobretudo quando montou o Xeque-Mate, altura em que se sentiu mais confortável, deixando ferros de nota apreciável.
Filipe Gonçalves aqueceu com o Xique, as suas palmas e um violino e palmo, já a finalizar a sua actuação, que até aqui não havia sido tão afortunada e Mara Pimenta, que andando esforçada, levou a efeito uma prestação de nível também regular.

A verdade, verdadinha da boa, é que o IX Festival da Rádio Campanário, teve duas distintas partes... Quem disser o contrário, não viu e apenas conta o que lhe contaram...
A parte das partes, a que se recordará por muitos e bons anos, foi a primeira... aquela em que todos, mas mesmo todos, nos orgulhamos por se ter esgotado o papel nas bilheteiras.
Bom cartel, de Figuras, montado por gente séria e por uma Rádio que é uma verdadeira instituição. O ESGOTADO deve exibir-se por aí, como o primeiro grande triunfo deste Festival.
Aficionados sem bilhetes, ambientazo, emoção e alegria por se sentir que afinal a tauromaquia, está ainda na moda e que, todos somos poucos para a elevar...

Elevação é sem dúvida a palavra de ordem quando se fala de Rui Fernandes e Diego Ventura.
Poderia bem dizer-se, que o 'vinte' esteve ao poder no Redondo. Vinte anos de alternativa de Rui Fernandes e Diego Ventura. Dois leões que entre si, deram a máxima categoria ao que se passou na arena do Redondo.

Mas vamos por partes.

Rui Fernandes, andou quiçá a tintas-meias por altura dos compridos. Notou-se a preocupação de fazer as 'coisas' bem feitas, sem alardes e à vez, com moderação de quem mede o chão que pisa. No entanto, nos curtos e com a motivação a top, lida com ladeios, remata no mesmo nível e pelo meio, ferros de encher o olho.
Os melhores foram os últimos, antecedidos por cite balanceado e que, em boa hora levantaram o público dos seus lugares.
Fernandes está de regresso aos grandes triunfos e o do Festival da Rádio Campanário, foi apenas o quarto por entre as quatro actuações que leva na temporada. Diria que, 'cada tiro, cada melro'.

O segundo toureiro que levava 'o vinte ao peito', era exactamente Diego Ventura. Vinte anos de alternativa, vinte estrelas e vinte quilates de um ouro que creio ser raro, se não for mesmo peça única, inimitável e de outra dimensão.
Ventura, sempre capaz de surpreender, trocou o habitual desfile de boas montadas, por 'apenas' duas boas montadas... Ah pois é. Quando o génio é o que vai 'por delante', não é necessário mais... e não foi! Guadalquivir para os compridos e Fino, para os curtos.
O primeiro curto, não se descreve com palavras ou imagens estáticas. Apenas e só se poderá contar com imagens em movimento, exactamente para provar, que o movimento de Fino frente a um toiro fechadíssimo em tábuas, foi preciso e milimétrico. Mais três curtas e foi isto... Um escândalo de triunfo, uma coisa do outro mundo, uma praça rendida, emocionada, feliz!
E tudo, frente ao pior(zito) de todo o festejo.

Mais instabilidade houve no sector das jaquetas de ramagens.
Aos Amadores de Evora e Redondo coube efectivar as seis funções, sendo que apenas e só a última foi ao primeiro intento.
Pelos de Évora, estiveram na cara dos oponentes, José Maria Caeiro, Afonso Mata e Miguel Direito. Pelos do Redondo, foram na linha da frente, Daniel Silva, João Calado e Renato Cristo.

Dirigiu com acerto Agostinho Borges, sendo cumprido um minuto de silencio em memória de João Patinhas, António Manuel Cardoso e Manuel Badajoz.

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