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Editorial - Fevereiro - As palavras que nunca te direi...

  • 2018-02-10 11:21
  • Autor: Solange Pinto


'Canso-me agora… canso-me agora mais que nunca, por saber, que há palavras que nunca direi a alguns agentes da Festa! Fazer-lhes a vontade, calar e enfiar no bolso a gratificação, não faz parte daquilo em que acredito. As palavras que querem ouvir alguns, nunca as direi…'

‘As Palavras que Nunca te Direi’, é e para quem gosta de ler, um romance dramático de referência, de autoria de Nicholas Sparks e que mais tarde, serviu de inspiração ao filme com o mesmo título…

‘As Palavras que Nunca te Direi’, conta a história de amor entre Garret Blake, um construtor naval que ainda chora a morte da mulher Theresa Osborne, uma jornalista ainda afectada por um casamento falhado.
Conhecem-se quando Theresa encontra uma mensagem que Garret escreveu para a sua falecida mulher, meteu dentro de uma garrafa e lançou para o mar. A mensagem é publicada no jornal de Theresa e estimula o interesse do público. Outras mensagens dentro de garrafas são encontradas e Theresa decide ir conhecer pessoalmente o poeta náutico... até que…

Pois é, infelizmente, as mensagens já não chegam em garrafas emersas na água, nem tão pouco são o primeiro passo para a chegada à fala com um jornalista… neste momento, o papel do jornalista, é quiçá dos mais ingratos por entre outras áreas de responsabilidade. O jornalista, continua a ser o sétimo poder, mas é também e cada vez mais, o alvo a abater…

Num país mergulhado num denso vapor de corrupção, o jornalismo, é agora e sempre foi um apetecível isco… mas atenção aos que não entram na nuvem… são com toda a certeza, o dito - alvo a abater…

Isto de ser jornalista, acarreta responsabilidades, obrigações, até quase que devoções… profissão mal tratada, na qual entram amadores por entre portas escancaradas… sobretudo se integrarmos o conceito, na tauromaquia. Pobre mundo, sempre tão pronto para albergar seres sem outras vidas, sem outros holofotes… isto de ser jornalista, obriga a saber ler, interpretar, investigar, escrever… noticiar vai muito para além de sentimentos, vai muito para além de intimidades e amizades efémeras…

Adapto o título do romance para as ‘Palavras que Nunca LHE Direi…’!

Estávamos separados por uma teimosia, mas, o meu respeito e admiração face a trinta anos de trabalho em prol da tauromaquia, isso, ninguém pode negar… Agora é tarde, mas… fica o profissionalismo e a forma como se debateu com as suas convicções… As palavras que nunca lhe direi… guardo-as agora para mim, com a profunda convicção, que se algo nos unia… tauromaquia, paixão por esta ‘coisa’ tão sua, tão minha, tão nossa… o mundo dos touros, confere-nos o mais legitimo poder de discordar de algo… e assim era!

Canso-me agora… canso-me agora mais que nunca, por saber, que há palavras que nunca direi a alguns agentes da Festa! Fazer-lhes a vontade, calar e enfiar no bolso a gratificação, não faz parte daquilo em que acredito. As palavras que querem ouvir alguns, nunca as direi…

Digo que injustiça Ventura não estar nas primeiras feiras do ano, digo que injustiça o festival da Rádio Campanário não se realizar na praça contigua à sede da estação referida, digo que injustiça… cala-te boca! As palavras que continuarei a não dizer hoje, a bem da Festa e da paciência que ainda me resta, são aquelas, que direi amanhã, gozando do meu estatuto de cidadã livre e gozando sobretudo, do direito à liberdade de imprensa…

As palavras que nunca lhe direi a ele, a eles, é que não 'vergo' em função do suborno e da chantagem…

Continuamos aqui, a dizer as palavras que sim, devem ser ditas!