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Guadalupe fez parar relógios em Serpa...

  • 2017-04-16 01:46
  • Autor: Solange Pinto
  • Autor da Foto: João Dinis


Realizou-se hoje em Serpa, um Festival Taurino cujos eventuais lucros, revertiam em benefício dos Bombeiros locais. Dois terços fortes de público e duas boas actuações dos cavaleiros Filipe Gonçalves e Manuel Telles Bastos a marcar a calorosa tarde alentejana.
Actuaram ainda Luís Rouxinol, João Telles Jr., Manuel Jesús 'El Cid', David Galván e Manuel Dias Gomes, bem como os Grupos de Forcados de Cascais e Beja.
CRÓNICA DO FESTIVAL
GALERIA FOTOGRÁFICA

O Festival Taurino que hoje teve lugar em Serpa, é já uma data perfeitamente ‘instalada’ no calendário taurino nacional… tanto assim é, que mesmo com os inúmeros apelos tão próprios de um fim-de-semana prolongado, lá se cobriram cerca de dois terços fortíssimos do tauródromo portátil, com especial incidência na bancada de sombra…

Calor, muito pó e apenas ausência de moscas, deram força ao ditado, creio que pouco actualizado nuns tempos em que a tauromaquia pede modernidade, conforto, glamour e ritmo.

O factor mais alheado desta panóplia de ingredientes necessários a uma tauromaquia modernizada, foi mesmo o ritmo. O espectáculo integrado nas Festas em Honra de Nossa Senhora de Guadalupe, ‘primou’ pela delonga do mesmo… Acreditamos, que Guadalupe, tenha avariado alguns dos relógios, inclusive, o meu. Contabilizei nada mais, nada menos que 4 horas e 15 minutos de um espectáculo com duas partes distintas, sendo a última delas, a mais deficitária de motivos de interesse.

Comece-se por aí… Abriu a tarde no que a toureio a pé concerne, Manuel Jesús ‘El Cid’. Esteve de forma simpática o toureiro espanhol, sem que contudo desse um show inesquecível… passou com dignidade, com apontamentos, mas que quer se queira, quer não, perderam grandiosidade perto da menoridade do trapio do novilhote que lidou. Escassez de volume e logo, de importância… Pertenceu à ganadaria de Passanha Sobral, sendo que o seguinte, o lidado por David Galván, foi de Falé Filipe e cumpridor o quanto baste para que o jovem toureiro, lhe retirasse todo o sumo e mais, espremeu até ‘não dar mais’… faena extensa, tanto que ‘aborreceu’. Depois de uma demorada recolha e de um intervalo de preparação da arena e tentativa de aniquilação do pó, eis que chega num absoluto período de saturação do público, Manuel Dias Gomes. É ingrato actuar com o grande jurado já impaciente, faminto e com a coluna e mais qualquer coisa a pedir sofá, no entanto e já depois da substituição de um toiro de Ascensão Vaz por outro exemplar da mesma ganadaria, eis que o diestro se enfrenta com um ‘cachucho’ de muitos quilos, que não permitiu lucimento, embora de tudo tenha feito o diestro luso…

Antes sim, houve boas actuações a cavalo.

Filipe Gonçalves e Manuel Telles Bastos fizeram o melhor e mais redondo apontamento da tarde. Dois estilos antagónicos, que não concorrem mas que divertiram o público na verdadeira acepção da palavra. Filipe a brilhar com um bom curto, um bom par de bandarilhas e um bom violino e as palmas de Xique e, Telles Bastos, fazendo jus à sua condição de exímio toureiro clássico, bom lidador. Lidaram exemplares de Varela Crujo e Santiago, respectivamente.

Em bom plano e sobretudo com atitude, esteve também João Telles Júnior, frente a um astado de Jorge Mendes, que rapidamente se rachou. Ainda assim, deixou um penúltimo curto de grande nota, em cites em curtíssimas distâncias…

Abriu a função Luís Rouxinol, numa tarde em que as coisas não lhe correram de feição. Se é certo que o seu oponente não deu tréguas (da ganadaria de Santiago), verdade é também que Luís nunca se acoplou verdadeiramente ao seu comportamento. Depois de cumprida a ferragem inicial, saiu à arena com o veterano Ulisses… Porque os cavalos também têm destas coisas, a verdade é que Ulisses não esteve ‘metido’ no ambiente de Serpa, tendo Luís que o retirar de cena sem que com ela tenha cravado um único curto. Trocou de montada e viu-se a braços com uma actuação sem ligação e sem par de bandarilhas… Cravou um violino, com uma montada nova no seu ‘cardápio’ e alguns desplantes…

No sector das jaquetas de ramagens, as coisas nem sempre correram da melhor forma. Por Cascais, estiveram na linha da frente, os forcados João Silva e Luís Fernandes, em consumações ao terceiro e primeiro, intentos, respectivamente. Por Beja, pegaram de caras, José Campaniço à primeira e Diogo Morgado, à terceira.

Antes do festejo dirigido por Tiago Tavares, cumpriu-se um minuto de silêncio em memória de Luís Cruz e Adrián Hinojosa.

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