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Editorial Fevereiro - Dos escombros de uma guerra, nascem novos edifícios, mas... cuidado!

Editorial Fevereiro - Dos escombros de uma guerra, nascem novos edifícios, mas... cuidado!

  •  2021-02-10
  • Por: Solange Pinto

Por inegável questão cultural, o povo português é muito sensível à perda, no geral e à morte, em particular…

Já cantava o fado… saudade, sempre a tão portuguesa palavra saudade no comando de muitos poemas, cantados ao longo dos anos, com a dor de quem sofre a não estadia terrena dos seus entes queridos.

Se a saudade é contada e cantada em poemas, a palavra morte é evitada em linguagens mais literárias, mas muito utilizada na linguagem jornalística.

A linguagem jornalística, não se quer enfeitada, dissimulada ou floreada. O choque é a marca que prende a atenção e é até quase uma cartilha a seguir, por quem escolheu ser isto: jornalista!

Longe vai o “não tema” da publicação ou não de imagens explícitas de colhidas, como para nós, é um “não tema” utilizar a palavra morte em detrimento de um estúpido e mascarado “faleceu”…

Tudo isto, serve para dizer, que, pese embora a dureza das diversas formas de comunicar, “o seu terá que ser sempre entregue a seu dono” e jornalista não é quem quer, fadista não é quem o sonha ser, médico é quem na sua formação investiu e por aí fora…

A formação ajuda, mas, na verdade, o que seriamos todos sem qualquer espécie de vocação. Mas que fique claro, a vocação e a dureza da expressão e comunicação, jamais nos retirará o sentimento face à obrigação de noticiar.

No TouroeOuro, não somos amadores, nem nascemos da necessidade de aniquilar os nossos pares. Nascemos com a tal vocação… mas com a responsabilidade de fazer o que tem que ser feito, sem cunhas, sem “amiguinhos” que connosco formaram “grupinhos” no passado…

Cumprimos obrigações, noticiamos de forma directa, confirmada, concisa e sim, também com sentimento ‘silencioso’, sem que tenhamos que contar que quem partiu, afinal até era nosso amigo.

As missões são assim, o jornalismo é isto, a dureza da expressão, com poucos filtros, mas com muita verdade.

A temporada vem com toda a certeza, longe. Mas as colhidas da vida não se fizeram esperar.

Será precisa coragem e em grandes doses, para enfrentar uma temporada com muitas caras que já não estão, mas com uma crise social que se adivinha como uma certeza e dessa, ninguém ousa falar… a tauromaquia já não será a mesma de antes, é preciso pensá-la de outra maneira.

Dos escombros provocados por uma guerra, nascem novos edifícios, mas muitos deles erguidos à pressa numa tentativa de aproveitamento de oportunidades. Mas cuidado, nem sempre estes edifícios, são os mais seguros…

"Imagem" muito comum numa guerra ou numa catástrofe natural, são os "saques" aproveitando as fugas inesperadas e portas abertas sem tempo de as fechar... Acredito que a tauromaquia está assim, a "saque" e à mercê de umas quantas pessoas que são tudo e nada são, que aparentam ter muito e afinal nada têm e que encontraram na tauromaquia, o pouso certo para 'ilicitudes' ou tão-só, para uma existência social.

Continuo a achar, que ou se é empresário, ou se é jornalista, ou se é membro de uma associação, ou se é até, coisa nenhuma.

Que Deus nos ajude a superar isto com inteligência e não com 'espertisse', ou... estará tudo perdido!


Editorial Janeiro - O cartaz que acordou os 'Belos Adormecidos'

Editorial Janeiro - O cartaz que acordou os 'Belos Adormecidos'

  •  2021-01-10

Frio muito frio aquele que se regista na Península Ibérica e que têm proporcionado, bonitas imagens, sobretudo onde a queda de neve surpreendeu… Alentejo em modo ‘gelado’, Madrid e Las Ventas em modo ‘lindíssimo’ e nós por cá, apenas em modo ‘hostil’ com tudo o que mexe… ou quase tudo…

O mundo do touro, ou melhor, este país, parece querer ignorar o óbvio… sim, porque todos os que agora ergueram as suas vozes criticando o outdoor de autoria da Prótoiro ou não o tinham feito antes ou… ou, se o fizeram, ninguém deu importância.

Diz-me onde estás, dir-te-ei quanto vale a tua opinião’, é um pensamento de autor mas que adaptei às circunstâncias, um pouco irritada, com o facto do TouroeOuro dizer há anos que esta ‘federação’ de defesa da festa, não serve!

E fomos maus, muito maus… porque dizíamos o óbvio, mas o que nunca deu jeito a ninguém que se lesse… vergonha talvez, de se manter uma estrutura a peso de ouro, que afinal não serve.

É fraca em demasia, apenas reage e nunca se antecipa. A sua comunicação é deficiente, por muitas e mais agências que contratem, e são ‘politiqueiros’.

Antes tínhamos Paulo Pessoa de Carvalho altamente conotado com o CDS, tivemos até corridas deste partido, facto de critiquei até me cansar, principalmente porque se levou a efeito um espectáculo de um partido que estava evidentemente a começar a naufragar… Prometeram e…? Nada, tomara o CDS que os apoiem a eles.

Agora, temos outros visionários, radicais que vêem na tauromaquia um pólo interessante de votos. Mas afinal de contas, as autarquias onde há corridas de touros, são maioritariamente geridas por elementos de que partidos…? Partido Socialista, o tal a quem os iluminados resolveram afrontar sem categoria, sem a categoria que a tauromaquia sempre teve…

Luís Miguel Pombeiro teve razão, mas tem razão agora perante a bala final... Luís Miguel, as asneiras já duram há muito tempo. Eu falei antes, o Alvarenga foi falando, o Calado, foi falando… e? Houve outros tiros que foram cozinhando em lume brando uma morte anunciada e que exige uma redefinição rápida e urgente de quem defende a tauromaquia.

A tauromaquia não tem partido. Ponham esta frase básica na cabeça antes que seja tarde demais. E reestruture-se quem miseravelmente nos defende agora.

Não sou deste nem daquele partido e se sou, não vem ao caso, o que sim vem ao caso, são as balas descontroladas que a Prótoiro tem atirado e a inércia caricata perante as bombas que nos chegam do inimigo.

Que fique claro: Não concordo com corridas de partidos, não concordo com cartazes que afrontem quem quer que seja, não concordo com o facto dos elementos das Associações Tauromáquicas deixarem demasiado visível quais as suas ligações partidárias, e muito menos, quero sequer aceitar, que possa haver outras intenções por trás daquele malfadado cartaz.

Retirem a tauromaquia disto e se não sabem fazer melhor, deixem que seja o povo a decidir de que lado querem estar… Mas do Vosso, começa a ser difícil.

Que o cartaz da discórdia, tenho pelo menos servido, para acordar os ‘belos adormecidos’.


Editorial - Dezembro - Annus horribilis

Editorial - Dezembro - Annus horribilis

  •  2020-12-10

Annus horribilis… todos concordarão e nesta temática, creio que não haverá discórdia…

Perderam-se mais de 5000 almas apenas e só em território luso e isto, é pouco se numa visão de globalidade, tivermos consciência de quão são gigantescos os números a nível mundial.

Com a maioria dos falecimentos a serem absorvidos pelos mais velhos, é impossível não pensar, que com os ansiãos do mundo, vai a identidade de um povo(s), seja este, ou qualquer outro…

Pensemos por exemplo, na cultura cigana e no verdadeiro símbolo que os mais velhos são para filhos e netos.

Talvez seja isto que nos falta a todos. Exemplos, referências e a impossibilidade total de abandonar tradições.

Evolução? Sim!

Como não acompanhar a evolução dos tempos, da verdadeira ascensão das plataformas cibernautas, das possibilidade de chegarmos ao outro lado do mundo sem grandes custos…

Como poderia eu ser contra, se afinal de contas, me estão a ler, através de uma plataforma digital.

Ok, até aqui chegámos sem dúvidas. Mas cuidado... poderemos abandonar todas as referências e abraçar apenas o ‘avanço dos tempos’ sem correr riscos? Não!

Li por aí, que Luís Miguel Pombeiro cogita a possibilidade de mudar o dia da semana em que se realizam as corridas de touros no Campo Pequeno. A fórmula já foi tentada. Rui Bento já deu corridas à sexta e a afluência não foi tão maior.

Não chegará já que pense também iniciar a temporada em Julho?

Inovar, bem, adulterar tradições e desvirtuar aquilo que sempre foi o Campo Pequeno, não me parece tão bem, sobretudo se mesclado este pormenorzito, com o facto do Campo Pequeno ser uma ‘casa de arrendamento’, agora com cores mais ‘azuis, brancas e vermelhas’…

É preciso repensar o que correu mal na temporada 2020, e bem sei que a tarefa não era de todo fácil. Não entendam tudo como ‘dizer mal’, é o que é, foi o que foi e talvez tenha sido o possível… Serve de atenuante a corrida contra o tempo, não só no Campo Pequeno, mas em todo o planeamento. Serve de atenuante, o medo pela redução de 50% da lotação. Serve de atenuante, não saber da eventual adesão do público face ao medo de contrair o vírus. Serve de atenuante face ao enfraquecimento dos cartéis, a não capacidade de pagar cachets ‘normais’ às figuras e serve de atenuante, o medo que as figuras tiveram de baixar honorários para a eventualidade de tão cedo não os poderem recuperar…

Mas calma que não vale tudo.

Évora lançou as datas previstas para a temporada 2021, a Tauroleve também, para as suas praças de Moita, Vila Franca, Chamusca e Figueira da Foz e por isto, quero acreditar, que todos os outros empresários, têm também já marcadas as datas, por terem estado em profunda articulação uns com os outros, com as programações da próxima época taurina. Ou não?

Também quero acreditar, que os festivais serão bem menos e que ‘cenas de festivalinhos’ como o que aconteceu em Azambuja no fim de temporada, serão abolidos, pela escassez de sentido…

Tudo tem que ser bem pensado, bem analisado, bem estruturado e só a gestão conjunta poderá ditar a continuidade com sucesso e sobretudo, com coesão. Se isto não for exactamente assim, corremos o risco, de num futuro muito próximo, irmos a uma corrida e em vez do tradicional ‘então, como é…?’, começarmos a ouvir mais ‘ça va bien…?’, ou mesmo ‘hombre, que tal…?’. E nesse caso, lá vai para o canteiro das flores, a tal identidade.

Tentemos que o annus horribilis seja um exemplo, mas que o medo, não nos coloque em mãos alheias, num caminho talvez sem retorno.

Rezemos para que o que aí vem, seja um annus mirabilis


Editorial - Outubro - Frutas 'com bicho'

Editorial - Outubro - Frutas 'com bicho'

  •  2020-10-19

Caminhamos a passos largos para o encerramento oficial de uma temporada taurina, que por diversos motivos, nos marcará a todos.

Há dias atrás, julgávamos que a corrida comemorativa do 115º Aniversário do Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo, era o único espetáculo pendente de realização e eis senão quando, surge a Moita, Azambuja e Évora (Évora ouvimos dizer, porque a empresa insiste em ignorar o TouroeOuro, o que a nós nos dá exactamente igual - por agora).
Refiro tudo isto, porque me parece simplesmente fantástico, que numa época atípica, de agravamento 'anunciado' da pandemia, se comecem a marcar espectáculos, com poucos dias antes da sua realização, numa fase em que parecia já que tínhamos todos escapado por entre os pingos da chuva sem que se ouvissem falar de surtos 'in tauromaquia' ou algo que pudesse associar a festa à evolução pandémica.

Concordo efectivamente com a realização da corrida do Cartaxo, por estar anunciada há mais tempo e sobretudo, porque marcará o encerramento oficial, dando cumprimento a uma tradição das antigas; não discordo, da realização da novilhada da Moita, apenas e só porque, sabemos todos que históricamente, as novilhadas não têm infelizmente, tanta procura como os demais espectáculos com profissionais e não arriscamos ajuntamentos, mas e o resto, havia necessidade?

Houve disto durante a temporada... Temporada pouco concertada entre empresários, viciação dos elencos com repetições excessivas dos mesmos toureiros em palcos de responsabilidade e sobretudo, um 'saltar à vista' dos mesmos rostos por trás das repetições.

Houve nomes que ficaram por ver, houve toureiros que não actuaram e outros que não vieram para o lado de cá da fronteira, dizem, que por serem demasiado caros...

A passo, estas opções poderão dar os seus frutas 'com bicho'... Frutas bonitas por fora, mas que junto ao caroço, começam a ser comidas pela lagartita... 

Rezemos para que as medidas que se anunciarão num futuro próximo e que o eminente 'Estado de Emergência' nos deixe levar a bom porto tudo o que está já programado, para que ninguém tenha que admitir o que comecei por dizer no início deste texto.

Mais, rezemos para que no defeso que se avizinha, se façam 'curas' adequadas para que a 'fruta' que colhermos a partir de Fevereiro, seja comestível, de bonita apresentação e bom sabor.

É necessário, que os 'produtores da tauromaquia', se juntem, estudem e pensem soluções. É necessário que os sectores que tutelam a Festa, se pronunciem sobre estratégias que possam elevar os espectáculos e sobretudo, é preciso que a Protóiro, passe dos posts nas redes sociais, à acção...

O TouroeOuro, aproveitará o defeso, para fazer evoluir a comunicação do sector (tema que em breve daremos mais notícias), bem como de tudo fará, para nunca faltar àquilo que sempre foi o nosso propósito, informar com rigor...

Para terminar, não posso deixar de agradecer, a todos, e não foram poucos, quantos nos enviaram mensagens sobre o 'caso Santarém'. Desde os aficionados e visitantes anónimos, cavaleiros, empresários e forcados, houve de tudo no que a apoio e repúdio concerne, pelo facto da a Associação Praça Maior nos ter 'vetado' na única corrida que fez em Santarém, optando pelos 'sem opinião'.

A todos, muito obrigado, somos tão rijos que chega a doer e aguentamos disto e do mais que possa vir.
Estamos cá com o propósito de sermos a referência. Já fomos ontem, somos hoje, mas queremos ser sempre o sítio onde a maioria dos aficionados se informa de verdade.

 


Editorial Setembro - Campo Pequeno - Uma obrigação que é de todos…

Editorial Setembro - Campo Pequeno - Uma obrigação que é de todos…

  •  2020-09-09
  • Por: Solange Pinto

Há coisas na tauromaquia que não entendo e que, pese embora escolhesse friamente não me preocupar, acabam por me assaltar o pensamento…

Aquando do ‘bonito folhetim’ do Dia da Tauromaquia, senti, sentimos todos, que a realização de corridas no Campo Pequeno estaria em risco (continuo a achar que é uma questão de tempo e se nos colocarmos a jeito). Em causa estavam questões administrativas, aleadas à vertente política, bem como à aquisição do Campo Pequeno por parte de ‘corpos estranhos’ e que sentíamos como outsiders

Anuncia-se o concurso, insuflado e para corajosos, mas, a verdade é que se apresenta mais uma dificuldade, pandemia… ‘A nossa casa’, visão muito romantizada da ‘coisa’, ficou em posição periclitante e… passo seguinte: acorrentados.

Que tristeza me deu, ver abrir o Campo Pequeno no dia 1 de Junho, para um espetáculo de índole não taurina.

Raios que parece que nos estavam a roubar a casa, tipo assalto à mão armada.

Mas não estavam!

Sai Bento, volta concurso e eis que o inesperado acontece (para o comum dos aficionados): Pombeiro ao poder.

Quem diria, pese embora Luís Miguel não seja um novato, que estaria o ‘tipo do jornal’, ao leme da mais importante praça de touros do país, com incursões ainda noutros tauródromos. De repente, chovem brindes, telefonemas, etc. e tal, uma vida diferente, fruto de quem chegou ao ‘palácio do empresariado tauromáquico’. Pombeiro ficou importante, aplicando-se a máxima, ‘diz-me onde estás, dir-te-ei quanto vales…’.

Incluo-me nos céticos, fiz críticas, sobretudo comparando a primeira das organizações de Pombeiro, em tempos de Covid, com a primeira das corridas do Campo Pequeno. Falei da ‘Lei da Rolha’ e sobretudo insurgi-me com o tratamento ‘estranho’ dado à imprensa e o que fez Pombeiro? Foi evoluindo, melhorando, arquitectando estratégias.

Dou a minha mão à palmatória. Pombeiro não teve tempo para idealizar, para sonhar e ponderar cartéis. Fez o que fez, numa temporada super criticável, mas ainda assim, digna. Repetições a mais? Sim, mas Rui Bento também as fez e com os mesmos motivos.

Que acho cinco estrelas a estrutura de retaguarda de Pombeiro, não! Muitos amadores, que em nada abonam sequer, na imagem que creio ser a ideal para Pombeiro, a Ovação e Palmas e sobretudo para um Campo Pequeno que esteve ferido de morte e que se tenta curar agora.

Meus queridos: urge apoiar o Campo Pequeno!

Acordem! Trata-se da derradeira chamada!

É importante ir, estar lá, preencher as cadeiras, mostrar e provar que o Campo Pequeno é a praça não dos acorrentados que reivindicam direitos para a tauromaquia, mas que é uma praça de touros de prestígio e que tem de existir não só porque os artistas precisam e querem actuar, mas porque os aficionados afinal existem mesmo e que os números de aficionados que a Prótoiro apregoa, são verdadeiros.

Com Covid, sem Covid (atenção: tauródromo seguríssimo e a cumprir escrupulosamente todas as regras da DGS), com mais ou menos capacidades financeiras, vamos ao Campo Pequeno, deixando de parte a virtualidade de intenções.

Pombeiro fez a sua parte, quem faz a parte dos aficionados?

Já agora, depois de uma semana em que o camarote da Prótoiro e seus convidados esteve vazio, seria importante, que a dita Federação marcasse presença na ‘nossa casa’, para que não pensemos o básico e o que temos mesmo legitimidade para pensar, que o seu objecto de existência é… qual?


Editorial - Julho - Que estranha forma de vida

Editorial - Julho - Que estranha forma de vida

  •  2020-07-19
  • Por: Solange Pinto

Escrevo num dia de certa nostalgia, num dia em que S. Cristóvão e São Sebastião saem à rua, brindando os aldeãos da pequena localidade que há cerca de 30 anos, conheceu a primeira corrida de touros em praça portátil e que desde então, nunca havia rompido a tradição...

Escrevo num dia, em que estaríamos em fase de rescaldo da inauguração da temporada nazarena, escrevo num dia, em que a temporada, estaria no seu auge, em que já se perceberiam tendências de triunfos, de cartéis, em que os empresários sonhavam com praças cheias...

Hoje, escrevo num dia embrenhado numa realidade diferente, numa 'nova normalidade', como agora se diz... Estranha normalidade e estranha forma de vida a nossa...

Estranha forma de vida, já dizia Amália Rodrigues há uns bons anos atrás, do alto do seu fado... Hoje, esta frase está mais actual que nunca! Estranha forma de vida a nossa, que a esta altura já teríamos desfilado pelas imediações do Campo Pequeno, toilettes e peles morenas... Estranha forma de vida esta, que nos ausentou das conferências de imprensa na mais importante praça de touros do país, estranha forma de vida, que nos fez deixar de sonhar o cartel de abertura, estranha forma de vida...

Estranha forma de vida, que nos faz agora aceitar actuações medianas como uma benção, só porque sim, estranha forma de vida, que nos fez acreditar, que a existência de uma corrida de touros será um acto heróico, deixando-nos convictos que estamos a ser restituídos de um direito que vá lá saber-se porquê, nos retiraram, ou pelo menos assim parece...

Estranha forma de vida, que nos faz crer, que certas inclusões em certos cartéis, acontecem por mérito ou triunfos almejados no ano transacto, estranha forma de vida, que nos faz agradecer TUDO quanto nos querem dar... 
A merda de uma pandemia, que sim existe e que nos fez mudar o rumo da história, veio agudizar aquilo que já existia, de forma mais camuflada. Mais que a pandemia e seus efeitos, é o dinheiro, abundância ou falta dele quem mais ordena... Estranha forma de vida esta, que deita na valeta, o prestígio que antes, em tempos de fidalguia, era e foi importante.

Estranha forma de vida, que troca competências, troca voltas e muda o rumo da história sem que ninguém entenda porquê... Estranha forma de vida que previligia o esquema e os negócios de favorecimentos, mesmo e quando é por demais evidente que assim é, perdendo-se o pudor e a vergonha.

Estranha forma de vida que deixa a tauromaquia envolta em interesses politicos, quando a tauromaquia nunca teve, nem nunca poderia ter cor...

Dizia Amália, num fado de Alfredo Marceneiro, que foi por vontade de Deus... Mas será que a tauromaquia, está como está, por vontade de Deus...?

Amália Rodrigues, amante da arte de tourear, amante das touradas e das noitadas... Amália, que hoje se conta que era defensora da tauromaquia... Não! Antes ninguém precisava de defender a tauromaquia, antes bastava amar a tauromaquia, esta arte que ninguém discutia, esta arte quem ninguém ousava questionar e que apaixonava todos os quadrantes políticos...

A estranha forma de vida, é hoje, uma estranha forma de amar... Atropelos e mais atropelos, fazem da Festa Brava e de todos quantos a protagonizam, uma estranha forma de amar...

Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus

Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vive de vida perdida
Quem lhe daria o condão
Que estranha forma de vida

(...)

Que ninguém ouse questionar Amália...
Que ninguém ouse questionar a tauromaquia, que ninguém ouse aproveitar-se dela ou dar-lhe cor política... Que ninguém ouse brincar com as 'suas casas', que ninguém ouse dar-lhe tom menor...
Que estranha forma de vida, mas por mais estranha que seja, a maior defesa, foi, é e será sempre falar dela e abordá-la com paixão... 

 

 

 


Editorial - Aniversário – Nove anos muito felizes, sem correntes…

Editorial - Aniversário – Nove anos muito felizes, sem correntes…

  •  2020-06-10
  • Por: Solange Pinto

Aficionados velhos ou velhos aficionados…

Desisti desta competição (quem viu mais o quê e onde…) e tudo o que poderá vir agregado a cada um dos conceitos da frase anterior, mas, ainda assim, como velha aficionada, nunca pensei viver um ‘Dia de Portugal’ sem corridas, ou, mais grave ainda, sem corridas anunciadas…

Tenho medo, tive ou tenho sei lá… tive medo das tantas perguntas sem respostas marcadas pelo surgimento deste inimigo invisível e desta guerra encapotada. Medo, que depois da guerra, verdadeiros tempos de tempestade, sem precedentes, não surgisse a bonança mas, mais medo tenho, que continuemos a viver uma paz vestida de falsos trapos 'xiques', de roupas com lantejoulas pouco reluzentes, ou ainda, uma paz vestida de roupas de marca contrafeita…

Nada pior, que trocar uma má verdade, por uma piedosa mentira, que mais tarde ou mais cedo, se revelará com todas as suas agravadas consequências…

Tento recordar-me da tauromaquia que vivíamos em 2011…

Já se falava que a tauromaquia poderia acabar? Já, sempre se falou, mas convicta de que se falava do fim da tauromaquia, quase como que do Apocalipse que dizem um dia poder haver…

Hoje, não só se fala, como é um perigo eminente e cada vez mais ‘audível’. Continua a falar-se, mas, a verdade é que os ataques vis que a tauromaquia tem sofrido, apenas agora conseguiram tirar os toureiros de cima das celas, os forcados dos treinos de campo e os espadas, das tentas… numa união que a confirmar-se agora, corrobora a sua não existência anterior!

Havia figuras do Toureio? Sim, havia e prova disso, uma corrida realizada neste mesmo dia, com dois figurões do toureio, competição, uma praça cheia e imagine-se, uma alternativa… Celestino Graça, a maior cá do ‘burgo’ e não falamos de pouca coisa, falamos de cerca de 14 mil pessoas, felizes… Sim, Santarém já existia, com força e um ‘ESGOTADO’.

Hoje, não há corrida em Santarém, mas, e alheando-nos da crise pandémica, a verdade é que com a repetição de alguns dos mesmos nomes, na mesma praça, Santarém não esgotou; alternativas cada vez há menos e competição, é quase uma utopia num toureio igualado e sem cunho, excluindo-se alguns predestinados...

Havia políticos virados de para a tauromaquia? Sim, houve… Os que gostavam, os que não gostavam mas não incomodavam, mas que, em simultâneo, não eram atacados de forma a espevitar o que de pior se pode sentir contra uma actividade cultural controversa…

Hoje, há uma Ministra da Cultura que simplesmente odeia a tauromaquia, mas que, as gentes da Festa não conseguiram cativar em nenhum dos momentos. Houve sim, outros ministros da força política vigente, a frequentar praças de touros e a ser vaiados de forma incrivelmente mal educada e pouco inteligente.

Havia plataformas de defesa da Festa? Sim, havia a Prótoiro, há cerca de um ano, com três rostos muito visíveis. Diogo Costa Monteiro, José Carmo Reis e Hélder Milheiro.

Hoje, o primeiro nome não existe na Prótoiro, nem existe numa qualquer praça de toiros, outro foi ‘convidado a sair’, não se sabe bem porquê e continua um, com fluência de discurso, mas…

Havia lobbies políticos? Não, não havia.

A tauromaquia era ao tempo apartidária, hoje, tem partidos, curiosamente os que não ‘espetam nada’ na bancada parlamentar… Agora é tarde… Começaram as corridas do CDS e a devoção a André Ventura… Tábuas de salvação em modo ‘frágil jangada’.

Havia PAN? Havia… há menos de dois anos.

Havia, mas numa fase muito embrionária e que apesar de usar a abolição da tauromaquia como bandeira, pregava sozinha porque não tinha opositores. Quando os teve, originou-se debate e sobretudo, necessidade de provar a existência de uma plataforma de defesa da Festa.

Havia Campo Pequeno? Havia, lindo e glamouroso.

Hoje, vive periclitante e à mercê de ‘tempo’ para a realização de seis corridinhas… Vendido. Bem ou mal? Não importa, foi apenas e só, vendido sem a cautela da Administração anterior, apregoada pelos vendidos, de ‘administração aficionada’, de que a tauromaquia estaria acima de qualquer outro interesse, quiçá de origem política…

Havia imprensa de especialidade taurina ‘em papel’? Sim, havia o Novo Burladero, o Olé e o Farpas…

Havia. Hoje, temos o eterno ‘Novo Burladero’, o ‘Olé’, enaltecível pela persistência pouco espevitada e um extinto Farpas, agora em versão blog caseiro, onde se publicitam feijoadas e onde se colocam e retiram notícias, se fazem emendas sem o mínimo rigor jornalístico.

Havia TouroeOuro? Sim, nasceu num dia como hoje, 10 de Junho, mas deste ano que agora recordo e comparo - 2011…! Nasceu a liderar, inovando com os seus conteúdos como os DIRECTOS com textos e fotos em tempo real, crónicas rápidas e à velocidade que a Internet pedia e pede cada vez mais, bem como, linha recta no que a linha editorial concerne.

O que mudou hoje? Nada. Continua a liderar, a incomodar por denunciar o que está mal, por desinstalar os que se achavam erroneamente acomodados, por contar a verdade, doa a quem doer, por estar sempre no sítio certo, onde mora a noticia, por ser o mais internacional dos órgãos lusos, por se enfrentar orgulhosamente com os grandes, defendendo a sua linha editorial e não murchando as orelhas, face aos tantos ataques dos tais incomodados.

Mas hoje, como há exactamente nove anos atrás, temos a certeza de três coisas: Contamos-lhe a verdade sem manipulações, não estamos acorrentados e felizes por isso e estamos orgulhosos, por liderar e perceber que isso só acontece, porque os nossos visitantes nos são fiéis, nome anos depois do feliz primeiro dia!

Obrigado a todos!


Editorial - Maio – Coisa Nenhuma…!

Editorial - Maio – Coisa Nenhuma…!

  •  2020-05-10
  • Por: Solange Pinto

O ‘mundo está virado do avesso’ e o resto são cantigas…

Em vez de estarmos numa corrida de touros, nesta ‘nublada tarde de sol entremeada com períodos de chuva’, estamos embrenhados nas terríveis notícias que nos dão conta do brutal assassinato de Valentina, onde, mais que a razão, imperou o coração, fazendo com que inúmeros populares a procurassem…

Terríveis notícias, resultantes de mais um crime hediondo e que confirma a malignidade que a mente humana pode atingir.

São estes os factos que agora nos marcam e que nos afastam os pensamentos, das saudades, muitas, das arenas, das grandes actuações e da cultura, sim, cultura que tanto amamos.

A tauromaquia, a par com tantas outras actividades culturais, foi ferida de morte, pela ‘espada do Coronavírus’… Até aqui, a Festa, ia sobrevivendo às tentativas de aniquilamento, mas, chegou a este ponto, em que agora sim, está a passar mal…

Passam mal os seus agentes directos, os indirectos e os aficionados, que neste momento, já levariam uma vintena de corridinhas no ‘bucho’.

Os meses passaram, mas, lá pelo meio, surgiram questões que mais não foram que um tapar de olhos e um conjunto de fait divers, que creio agora como antes, mais não foram que manobras de diversão e distracção, dos tontos que acham que muito está a ser feito por quem de direito…

A arrogância tomou conta dos visados, a prepotência e falsa ideologia de união de classes, mas, a verdade é a de sempre, infelizmente, prevalece a inércia, o jogo escondido, a penumbra…

Primeiro o apoio ou não aos toureiros, depois o cancelamento dos seguros para treinos, depois as corridas à porta fechada e consequente transmissão, depois os pedidos de reunião com o governo, depois… coisa nenhuma!

Celeuma fruto do destapar de intenções, entrevistas elucidativas mas pouco e recuos de intenções, por escassez de unanimidade…

Queixam-se os intervenientes, mas na surdina e no boca a boca, descobrem-se as ‘carecas’ no que respeita aos palcos onde seriam as transmissões e no inequívoco ‘jogo de interesse’ que se preparava e sobretudo… coisa nenhuma!

Coisa nenhuma é o que de resto, as associações andam a fazer e cuja bondade das intenções, nem sequer ouso duvidar… Mas bondade de intenções, é pouco, é coisa nenhuma.

Não seria hora, de admitir que este ano, não há a mínima possibilidade de coisa nenhuma?

Não seria hora, de reconhecer com humildade, que tudo está a sair gorado?

Não seria hora, de explicar aos aficionados o que estão a fazer?

Para haver touros, toureiros e tudo o que envolve um espectáculo taurino, tem que se rentabilizar com o público que compra o seu bilhete?

Ou acham que a tauromaquia vive de patrocínios que ninguém antes já queria fazer e que de ora em diante, muito menos?

Não será hora de reconhecerem que precisam de apoios até da imprensa, para fazer chegar ao publico os afazeres de quem defende a Festa, supondo que a defende?

E os toureiros, os forcados, os empresários, os ganadeiros? Não têm nada a dizer ao ‘zé povinho’ que apenas é chamado a comprar o seu ticket para a sobrevivência de todos?

Entendem que a estratégia da surdina, da penumbra já não funciona, ou melhor, que funciona como um insulto a todos quantos habitualmente vão às praças de touros?

Que futuro tem a tauromaquia? Que apoios espera o sector? Quais as possibilidades para se iniciar a actividade e quando?

Não façam à tauromaquia, o mesmo que fizeram à praça de touros de Póvoa de Varzim, chorar depois do leite derramado, é coisa nenhuma.

Não tenham dúvidas, que se não fizerem alguma coisa rapidamente, pode vir a ser tarde demais e ficar tudo, em coisa nenhuma.


Editorial - Abril - A Festa é ovação, e nunca, uma porta fechada!

Editorial - Abril - A Festa é ovação, e nunca, uma porta fechada!

  •  2020-05-03
  • Por: Solange Pinto

Nunca ninguém disse que a vida era justa. Tenho a mais profunda convicção, que para uns, será mais facilitada que para outros e mesmo em tempos de guerra, a maioria perde, mas haverá sempre quem ganhe…

Escrevemos e publicamos este Editorial, no dia em que se comemora o ‘Dia Mundial da Liberdade de Imprensa’ e, se já a houve, na verdade e acompanhando a evolução linguística dos tempos, diria que hoje e actualmente, é mais virtual que outra coisa…

Apregoamos a liberdade, sabemos que é um direito afecto a quem informa, mas, na sua maioria, quem exerce com rigor a sua liberdade de informar, opinar e principalmente, ousar pôr o dedo em feridas, rapidamente percebe, que ao dia de hoje, pouco sentido faz e que, como dizia lá mais atrás, é apenas virtual… Surgem as pressões, quem acha que se foi longe demais e agora até já, querem impor até, as imagens que se devem ou não devem publicar…

Tudo isto não me afecta em demasia. Senão vejamos. Nunca tive, nem o meu órgão de comunicação, tentação de ocultar o que quer que seja, apenas e só porque implícito estava o acesso vedado a uma trincheira. Como exemplo, a última de Lisboa, na temporada transacta. O site ‘a’, o ‘b’ e por aí fora, lá estavam felizes e contentes, quando agora, nem o ‘raio’ de uma notícia se lembram de publicar… Estampam fotos das corridas (também era melhor que nem isso fizessem) e pronto, não incomodam ninguém e ainda recebem umas palmadinhas nas costas e isso, basta-lhes…

Aqui e principalmente no mundo do touro, o que interessa, é ocultar verdades e incomodidades… Repare-se.  O TouroeOuro denunciou (sendo que o mesmo foi feito por Miguel Alvarenga no seu blog), que certos toureiros estavam descontentes, pelo facto de até aquele momento, não terem sido contactados no âmbito da crise por Covid-19. Disseram que as notícias eram falsas e… bem, o TouroeOuro não mente e a verdade é que, pouco tempo depois, bem em jeito de justiça divina, aos episódios encarregaram-se de nos dar razão…

Voltemos atrás. Notícias desagradáveis é certo e que davam conta de que a comunicação entre a ANT e os Toureiros, não estava a ser feita equitativamente e/ou, qualitativamente e a verdade é que, surgiu um comunicado, apenas levado a sério por alguns com escassez de notícias e porque acreditaram, que mais uma vez, eram uma ‘coisita’ com nomes, dedicada a aniquilar o TouroeOuro. Ironia do destino e poucos dias depois, eis que o mesmo blog de que falei há pouco, dá à estampa, testemunhos de toureiros, com inequívocas queixas em relação à Associação de Toureiros e Prótoiro. Pareceu-me que a ‘união’ embandeirada em arco dias antes, por alguns que por acaso são estes que assinaram estes testemunhos, afinal, era uma miragem…

Resumindo, primeiro e porque não havia outro, tema da discórdia, noticias da falta de comunicação entre toureiros, com o culpado, TouroeOuro . Depois, já com novo tema, corridas televisionadas sem público e aqui sim, o ‘forrobodó’ total. Uns sim, a favor, outros contra, mas, o principal problema, continua a ser o mesmo. Todos pensam a festa, todos a decidem, mas supostamente não a comunicam aos seus associados… Mais, não lhes pedem opinião e mais ainda, aproveitam-se da confiança que os agentes da Festa tiveram até aqui na Prótoiro.

Nuno Pardal, em menos de 24 horas, disse a um site amigo (deles), que sim, haveria corridas sem público e televisionadas, disse-nos a nós que sim e, depois, ao Toureio.pt, que afinal não… Mas que raio de estratégia de comunicação é esta? Ou melhor, há estratégia?

Avançam, recuam e não mantém decisões, que afinal eram suposições e que afinal, ao primeiro abanão, caem por terra… Sentem a falta de firmeza nisto?

Crise enorme, sanitária, mas no seio da Festa, enorme e que infelizmente, a mim não me surpreende. Digo e assumo, que nunca acreditei neste ‘formato’ de defesa da Festa, onde apenas se diz o que a Prótoiro quer, quando quer e isso, digamos que é em raríssimas ocasiões e quase sempre para publicitar a marca que criaram…

Tudo o resto, os lobbies políticos são secretos, mas nunca têm frutos, os processos judiciais, ninguém sabe deles, e as praças perdidas, uma certeza.

A crise e a infecção da tauromaquia era já enorme e ninguém queria ver e agora, quando a doença vive dias carentes de ventilação, descobriram-se as ‘morbilidades’ e faltam as camas de hospitais… sentido tristemente figurado, claro está!

A Prótoiro ‘cavou’ o seu próprio isolamento. Os toureiros, ficam à espera e as lacunas, sucedem-se… Com tantos lobbies, é normal que o presidente da APET diga ao Toureio.pt, que não sabia que os agentes culturais seriam recebidos pelo Primeiro-Ministro? É normal, que a Prótoiro, envie uma solicitação de reunião, apenas e só quando o TouroeOuro ousou pôr o dedo na ferida? Quando a crise, embora dinâmica, durava já há tempo…?

Que medidas realmente válidas vão sugerir? O que de facto estão a pensar fazer?

Mais, quando pedimos justificações e planos de acções, entendem que não é para satisfação da nossa curiosidade, mas, para informar?

O que estão realmente a fazer as entidades que regulam a festa? Preto no branco, o quê?

A discussão em torno das corridas televisionadas, por quem e com ou sem público, deveria ser uma segunda questão e não, ter-se transformado no tema fulcral. Mas até nisto, a ideia era transparente o suficiente? Servia a todos? E mais, já alguém se preocupou, com os órgãos de comunicação, a quem pedem que se divulgue e defenda a Festa? Como sobrevivem, como se mantêm? Teremos que ser empresários além de jornalistas, para prender a Vossa atenção?

Nunca sequer ousarei pedir a demissão dos presidentes das associações, porque usando uma expressão feia, mas que bem ilustra o momento ‘quem comeu a carne, que roa os ossos’, agora, é altura de provar trabalho e/ou, pedir-lhes responsabilidades…

Já agora, o que é feito de um dos pioneiros da Prótoiro? Diogo Costa Monteiro. Foi-se? Pediu suspensão, mas, continua suspenso?

A título de remate, num discurso que calculo esteja já longo, resta recordar, que em Espanha, se fez um dossier com 37 medidas a propor ao Governo. Dossier, elaborado por todos, mas mesmo todos os quadrantes da Festa, até, a imprensa. Todos, no mesmo barco, ali, é assim, num passo histórico, em que ninguém, mas mesmo ninguém foi desprezado ou renegado.

Televisão, público sim ou não? Quando houver corridas, que seja em bom, com categoria com glamour e condições, que esta festa merece, por não ser igual a nenhuma outra. O toiro, tem que continuar a ser o Rei da Festa e o público, quem o aplaude, em primeiríssima instância. Tudo o resto (e que não é pouco) e que é a subsistência dos agentes da tauromaquia, neste ‘paro’ forçado, estamos cá, para ajudar a encontrar soluções…

Não sejam loucos, a Festa é ovação, e nunca, uma porta fechada!


Editorial - Março - Quietos na trincheira que é a sua casa

Editorial - Março - Quietos na trincheira que é a sua casa

  •  2020-03-15
  • Por: Solange Pinto

Parece ter sido previsto em literatura biblica, ou mesmo, num dos filmes de Astérix, ou ainda, no livro ‘The Eyes of Darknes’, mas, a verdade, é que ninguém, dos tempos actuais, viveu algo semelhante, ou, alvitraria sequer vir a poder viver isto…

É de vida que se trata! Preotecção da nossa – vida, e da vida dos que amamos…

Não é de um país em pânico que se trata, não é o mundo aflito, é sim, um país e o mundo, em uníssono, na luta literalmente contra o desconhecido.

Protejamos o pai, a mãe, o filho mas principalmente, os ‘avós’ de um mundo, a quem alguém, seja lá quem tenha sido, pareceu querer destruir.

Será uma guerra química? Será apenas e só um vírus, surgido na China, de forma completamente inocente?

Agora pouco importa, como pouco importará a quem irão parar as corridas no Campo Pequeno e se serão seis ou vinte… valores mais altos, levantaram-se sem que os pedíssemos!

O que agora sim importa, é ficar em casa e entender, que protegendo-nos a nós, protegeremos os nossos!

O TouroeOuro nunca deixará de se mover pela Tauromaquia nacional e mesmo mundial, e sim, reconhece sem esforço o quão dificéis serão os tempos vindouros numa economia de escala que afectará, inevitavelmente os profissionais do sector, ainda assim, movemo-nos agora e mais que nunca, quietos, por mim, por si, por todos.

Lutamos juntos e mais que isso, seguimos juntos… virtualmente!

Quietos na trincheira que é a sua casa, imaginando que numa qualquer arena, se fará a mais bela faena, que é a nossa saúde e a de todos os que mais amamos. O ‘touro’ é astifino, repete investida, mas acabará por recolher aos currais… com triunfo para os seus lidadores.


Editorial – Fevereiro - Campo Pequeno, a investigação continua, a fantasia e o silêncio, também…

Editorial – Fevereiro - Campo Pequeno, a investigação continua, a fantasia e o silêncio, também…

  •  2020-02-17
  • Por: Solange Pinto

A vida continua e a actividade tauromáquica no nosso país, também… mas, verdadinha seja dita, que o caso Campo Pequeno, domina todo e qualquer assunto no nosso país, no que a notícias taurinas concerne.

Nada que não esteja verdadeiramente em sintonia com a ausência do toureiro na sinalética indicadora da localização do monumento, que, como tudo o resto, calámos e consentimos, sem que nada fosse feito para contrariar esta estupidez da Câmara Municipal de Lisboa… ahhhh e não vale a pena dizer que se andam a movimentar junto de empresas de alpinistas (na surdina, como gosta a Prótoiro), no sentido de devolver à sinalética a gravura ‘indesejada’.

Nada de frutos da acção da Prótoiro e muito poucas reacções da Federação a tudo o que se está a passar e que agora sim, a juntar aos casos Viana do Castelo, Póvoa de Varzim e Setúbal, colocam a Prótoiro como uma coisa que existe e não percebemos bem para quê…

De visível e concreto, ocorre-me a forte apetência na participação em debates, com especial visibilidade para Hélder Milheiro e o seu frio discurso, bem como, forte propensão para o merchandising

Pois bem, o TouroeOuro, cumpre todos os requisitos legais enquanto órgão de comunicação, paga impostos e não é pouca coisa e por isso, pode e deve ter opinião.

Tem opinião sobre a acção da Federação Prótoiro e das Associações do sector que a compõem e não a evita; tem opinião sobre empresários, artistas e sobre o que no geral, na tauromaquia, possa ser alvo de análise… O TouroeOuro, nunca passou por entre os pingos da chuva para que não fosse hostilizado por uns; o TouroeOuro, fala sempre afinando-se pelo rigor da verdade e todos os elementos disponíveis aquando da emissão de qualquer opinião.

Voltamos ao caso Campo Pequeno e venda com eventual contorno pouco claro ou legítimo, num campo mais vasto, bem como, a toda uma acção desenvolvida pela direcção taurina, quer num período SRUCP/ Família Borges, quer na sua fase de insolvência… Somos críticos nas suas actividades, mas, soubemos elogiar a seu tempo e numa fase inicial em que o ar fresco de Rui Bento, foi uma mais-valia. Agora e por agora, com ou sem insolvência, a verdade é que o Campo Pequeno, voltava a necessitar de renovação, porque o dito ‘ar’, há muito que deixou de ser fresco, dando lugar a uma ventania, que sopra quase sempre em torno de uma mesma esfera… Tudo dito!

Tudo isto, para Vos dizer duas coisas… O assunto Campo Pequeno, é gravíssimo, com contornos estranhamente em sintonia com outros casos de grande visibilidade no país.

O TouroeOuro, congratula-se por, emitir opiniões sim, sobre os agentes da Festa e seus triunfos e erros, mas, jamais noticiará nada sobre o delicado caso ‘Venda da SRUCP’ sem que tenha certeza por ‘a’ mais ‘b’ do que está a dizer… Não traçamos cenários com alicerces de barro, nem o jogamos à parede, ao barro, claro está. Aqui investigamos e noticiamos fruto de investigação e claro, como sempre, andamos à frente na verdade, no rigor e naquela que é a verdadeira notícia.

A Festa primeiro, a verdade acima de tudo e cuidado, porque a fronteira entre a crítica, a notícia e a manipulação de opinião, é uma linha muito ténue…

Campo Pequeno, a nossa investigação continua, a fantasia de uns e o silêncio de outros, também… Mas todos em igualdade de circunstâncias quando se apelidam de ‘imprensa’!


Editorial – Janeiro - 'Este ano é que é...!'

Editorial – Janeiro - 'Este ano é que é...!'

  •  2020-01-12
  • Por: Solange Pinto

A vida não pára, ou não pára para tudo e todos ao mesmo tempo…

Os anos sucedem-se e para os poucos que escrevem artigos de opinião, Mourão e o arranque de temporada, são o tema fulcral, de uma Festa agarrada não aos organizadores de eventos taurinos, mas sim aos palcos de tradição… e isso sim, vale a pena ser lembrado.

Mais em tipo do ‘nosso’, surge logo a seguir, Granja, num Festival rematadíssimo, definitivamente a ocupar o lugar qualitativo que foi noutros tempos o de Mourão…

Neste momento, são muitos os temas que “paginam” os órgãos de comunicação social… verdadeiras notícias, das que contam e que justificam parangonas.

Escrevo, no dia em que faleceu Paulo Gonçalves, enquanto competia no Dakar ainda a decorrer, deixando o país em consternação. Agora e por agora, olhos também postos, não em festas e festinhas de entregas de troféus descredibilizados, mas, nos “desafios” iranianos a essa ‘desgovernada’ nação americana.

Para os amantes das ‘histórias de crime e investigação’, surge o caso ‘Rosa Grilo’, como um dos mais apaixonantes dos últimos anos, envolvendo todos os condimentos dos grandes delitos, com o último episódio adiado por mais uma quinzena.

Para os amantes da ‘prensa rosa’, há ainda o facto do Príncipe Harry deixar a ‘Vida Real’, entregando-se à sua Meghan, protagonizando terno romance e uma vida que pretende agora, normal!

E é isto… tantas e tantas fortíssimas notícias onde, as taurinas, reduzem-se a ‘mais do mesmo’. Mourão, Granja, todos e todos em Évora; um cartelito ‘satisfatório’ no Dia da Tauromaquia, com pouco espaço ao ‘futuro da festa’; as primeiras notícias de Santarém, agora com espanhóis à mistura; outro grande Festival na Chamusca e um matador de toiros espanhol, novel lenda do toureio a dar o exemplo na Homenagem a Chibanga…

Deste mesmo toureiro, diz-se, que regressará a Valencia, quatro anos depois… Falamos de Morante de la Puebla. Ponce em mano-a-mano com Aguado, escassez de novidades de uma Olivenza cada vez com menor identidade e continuo, nós por cá, em pequeno… em mais do mesmo!

Relativize-se tudo! Viva-se a Festa enquanto a há, desfrute-se e registem-se os momentos de triunfo, para que mais tarde, se possam ‘contar em imagens’ (coisinha muito na moda para quem tem sites e não escreve) e, rememos todos para um qualquer lado, mas fujam dos coveiros da Festa, porque lá que os há, há e garanto, que não somos nós!

Feliz temporada 2020, com um sorriso nos lábios e muitos triunfos e pensem, que tal como as dietas, este ano é que é… é Viana do Castelo, é Póvoa de Varzim, é Setúbal, é as criancinhas e os touros, é o IVA a aumentar, é tanta coisa… Mas uma coisa já sabemos que é, o Dia da Tauromaquia!


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