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Editorial - Setembro - God Save The King!

Editorial - Setembro - God Save The King!

  •  2022-09-10
  • Por: Solange Pinto

Mesmo que outros temas se atravessassem na actualidade mundial, a morte ainda que não prematura de Isabel II, a Rainha, marcaria sem lugar a quaisquer dúvidas o mês de Setembro e porque não dize-lo, o ano 2022.

Repare-se mesmo, que este ano, foi e é rico em mudanças… Em Fevereiro estalou a Guerra na Ucrânia; agora, a partida de um rosto consensual, um símbolo para os monárquicos, mas muito mais que isso, a verdadeira personagem que viveu muito, viveu tudo e que acompanhou a vida de todos quantos nascemos há menos de 96 anos.

Caso para dizer ‘God Save The Queen’… Porque queremos na verdade, que fique bem, onde quer que descanse a sua condição de grande Mulher, das poderosas, diferentes, carismáticas e em simultâneo, das sensíveis nas questões mais suigeneris.

Sabemos todos, que se mudam os tempos, mudam-se as vontades e as feições da ‘união’. Mudam-se os tempos, sucedem-se os episódios e a vida continua, mas sem as referências, com as tradições adaptadas e a queda de popularidade ou, no limite, da importância dos ‘tais símbolos’…

Agora…

‘God Save The King’!

Nunca esta ‘frase’ de emblemático significado me fez tanto sentido. Para mim, para nós e pese embora a importância de inúmeros outros tauródromos em Portugal, o Campo Pequeno é o verdadeiro Rei dos tauródromos. Que Deus o salve dos que não o querem entre nós… Mais não se diz porque o tema parece tabu e claro, quem ouse falar nisso, pode estar não mais que a rogar ‘pragas’ e pode até, fazer-se ouvir ou ler pelos inimigos…

Tapar o sol com a peneira, parece ser o que temos de fazer todos, para que a nossa alma resulte imaculada e para que pertençamos à ala dos súbditos.

Fica-nos a memória de uma temporada curta em demasia, nem sempre majestosa ou imperial, mas cuja sorte que protege os audazes, conferiu aos espectáculos, noites com bons apontamentos… A corrida da passada quinta-feira, arrisca mesmo ser uma das mais ‘redondas’ da temporada. Mas sejamos francos, impunham-se quatro casas ESGOTADAS. Não aconteceu, sendo que os motivos, descortinaremos depois.

Entretanto, temos em Festa a verdadeira Queen da tauromaquia lusa.
A Moita está a ponto de começar e pese embora o carinho ‘particular’ que sinto por esta praça, não me custa dizer, que o elenco é de luxo, diversificado e que merece, que todos se coloquem ao lado, pela sua História e relevância no panorama português.

A vida não está para brincadeiras… economicamente falando, sabemos do quão difícil é ‘colocar a cabeça no buraco’, mas, apareçamos agora, provemos que vale a pena continuar com ‘isto’ e que todos, somos poucos para segurar as tradições que nos distinguem como um povo distinto, de referências e de princípios.

Salvemos a alma das nossas recordações, mas criemos outras, para que se assegure o Futuro na e da Tauromaquia.

Já sabe, é a hora, Moita é Moita e Daniel do Nascimento, deverá ser aclamada como uma das quatro mais importantes praças de touros do país.


Editorial - Julho - Temporada quente!

Editorial - Julho - Temporada quente!

  •  2022-07-16

Este ano 2022, está, infelizmente marcado pelas elevadíssimas temperaturas e consequentes incêndios que assolam o país.

A primeira palavra deste Editorial, não poderia deixar de ser para os Bombeiros. Todos os Bombeiros do país e do mundo.

A segunda palavra de solidariedade, é para os amigos de Abiul. Passaram maus momentos e mesmo crendo que o sabem, o TouroeOuro disponibiliza o nosso espaço para aquilo que entendam necessário e que possa ser útil…

As gentes dos toiros foram sempre muito solidárias com tudo e todos. Sempre se mobilizaram em torno de causas e isso, fez sempre a diferença num país de brandos costumes e que, nos momentos frágeis, se une…

A tauromaquia sempre assim foi, mas, de dentro para fora, porque de dentro para dentro, nem sempre assim é.

No fim-de-semana passado, não houve espectáculos, mas nos dois anteriores, houve cerca de 18 eventos tauromáquicos. Facto que prova o que atrás disse.

Os empresários continuam pouco concertados no que a datas concerne, sendo que estão mais concertados nas trocas e convénios e “obrigações” e em “cambiar” favores…

A palavra já não vale. Teremos que passar definitivamente à fase do contrato.

Pois bem. Neste alinhamento, surge um empresário que ignora o TouroeOuro, porque ousa dizer aquilo que nunca quis ler. Pensando que nos faz mal, não nos comunica a apresentação da temporada na Nazaré. Apenas fez mal ao tauródromo que gere…

No mesmo alinhamento, surge outro empresário, que utiliza a sua página da rede social Facebook para desmentir o que apenas dias depois, viria a confirmar na mesma plataforma. Ora se isto não é estado de loucura deste pessoal todo, então que será?

Não vi nunca, Ramón Valencia a chamar de “bruxos” os jornalistas do Mundotoro, Aplausos ou mesmo El Mundo por alvitrarem os cartéis da Feira de Abril de Sevilha. Talvez Ramón Valencia, do alto da sua veterania, perceba que um órgão de comunicação publica notícias. Publica notícias quando são isso mesmo, notícias, novidades, informações ainda não conhecidas.

Mas porque raio incomoda tanto os empresários, que cada um faça o seu trabalho e bem feito? E porque raio os blogs publicam os desabafos dos empresários nas suas páginas de Facebook, as mesmas onde hoje publicam estes desabafos, amanhã, fotos de éguas e no outro dia, fotos de qualquer outra coisa?

Apenas ridículo da parte do empresário, do blog a quem pagam para dar eco a isto e que agora deveria ter reconhecido, que afinal o TouroeOuro até sabia o cartel de Beja, como sabe tantas coisas, graças às suas boas e fidedignas fontes.

Estamos assim, mas cabe-me entender, pois a destrinça do que é um órgão de comunicação, um blog pessoal de promoção dos seus autores, ou mesmo de uma página de Facebook onde se ‘postam’ imagens de corridas, não está ao alcance de todos, num país que tenta abandonar o estigma de “terceiro mundo”, mas, que nestes momentos, está intimamente ligado com o “quarto mundo”…

Não levemos por isso a mal, que os mesmos meninos que encabeçaram a feitura de um ‘acórdão’ a pedir sabe-se lá o quê, a sabe-se lá quem e que muita gente assinou aí há uns anos, uma vez mais, por desconhecimento do tema, sejam agora os mesmos que dão pulos e pinotes, por se ousar questionar as suas presenças nas trincheiras.

Primeiro. Ainda que se não entendam ou mesmo desconheçam os critérios da IGAC para tal proibição dos fotógrafos nas trincheiras, as reportagens far-se-ão na mesma, como se fizeram em tempos COVID.

Segundo. Um jornalista é sempre um jornalista. Na bancada, na galeria ou na varanda de um prédio. No entanto, quem quis espalhar o veneno, agora esbarrou nele e até o irá provar.

Terceiro. O problema, além de diversas chamadas de atenção bacocas, é que as correrias nas trincheiras, andavam a ser vistas… A falta de argumentos, a escassez de motivos para ali estarem e até os percalços já acontecidos a alguns fotógrafos que não sabiam o que era um toiro que nunca se lhe perde a cara…

Quarto. A maior de todas as questões, é que a maioria dos fotógrafos, são apenas e só isso mesmo. Fotógrafos para plataformas não vistas; fotógrafos que utilizam tudo e tudo para vender umas fotos tiradas para as bancadas e agora também, para o arquivo dos próprios toureiros ou grupos de forcados.

Jornalistas, opinião e crítica é que há muito pouca. Talvez porque isso seja para os valentes, para aqueles que vivem bem com anticorpos.

Quinto. “Ou há moralidade ou comem todos…” e agora, será interessante ver como decorrerá a distribuição das escassas senhas…

Podíamos continuar a enumerar isto e aquilo, mas é uma profunda perda de tempo. A malta dos toiros continua a fazer das tábuas de trincheira uma varanda de vaidades, de discussão de temas diversos e até de passatempo enquanto os outros se enfrentam com o toiro.

Neste Portugal das touradas, há órgãos de comunicação com tentáculos ou mesmo, tentáculos com órgãos de comunicação. Chamo de um polvo de ventosas que em pouco tempo perderão a capacidade de se agarrar a paredes, sendo que escorregarão por falta de poder de fixação…

O negócio agora é: levo o toureiro, faço os cartazes, faço publicidade no site e ainda, tenho uma praça para troca, e tentáculos noutras praças e como se isso não chegasse, ainda posso manobrar opinião e ainda estou nas associações. Pobre do site, por sujar o nome de “órgão de comunicação”, pobres cartazes em que os toureiros surgem sempre de boca aberta e coitado do toureiro, que “borra” todo o prestígio conseguido pelos antepassados…

Mundillo sem reserva de mínimos no que a ética concerne e conflito de interesses, nem sabem o que é…

É nisto que estamos, numa temporada que promete ser quente, de rebeldias, de “pânicos de bancada” e outras coisas mais.

Gostemos mais ou menos dos elencos, com maior ou menor esforço financeiro, até abdicando das férias ou da ida à jantarada, o que importa mesmo, é ir ao Campo Pequeno na próxima quinta-feira. Depois será tarde para chorar a sua perda, agora é o momento de agir.

Vista a sua melhor roupa, coloque a melhor maquilhagem, vá ao cabeleireiro, coloque a gravata ou a camisa de linho e mostre que o Campo Pequeno é um tauródromo de elite que sempre foi, que vive de gente bonita, ordeira e educada e que mesmo numa época “branqueada” de regras básicas de ética, a tauromaquia, ainda é uma “Escola de Valores”.

Que a próxima quinta-feira, seja um refresco neste verão quente…

 


Editorial - Junho - A liberdade que a vida nos dá...

Editorial - Junho - A liberdade que a vida nos dá...

  •  2022-06-10
  • Por: Solange Pinto

O TouroeOuro passou a fase da rebeldia.
Está hoje mais calmo, tranquilo, sereno, seguro, mas, sempre acutilante e sem 'papas na língua'.

O TouroeOuro cumpre, 11 felizes anos de 'vida'. Felizes de verdade. Felizes com a verdade.

O TouroeOuro, está sobretudo, mais maduro. Não explode por qualquer coisinha, mas não guarda para contar depois. Não tem amarras, não cala o que deve ser dito nem deixa de publicar a notícia que todos querem ler, mas que os 'agentes' querem silenciar.

Somos polémicos. Somos amados por uns, talvez não gostados por outros, mas todos cá passam para espreitar o que se passa!

Continuamos com opinião. Com os segredos, com os DIRECTOS... Passam hoje exactamente 11 anos desde que inovámos. O primeiro DIRECTO.

Continuamos a fazê-lo. Conseguimos a rapidez na publicação das criticas, mas... calma... Não nos apetece deixar de inovar... Aguardem-se as novidades.

Aqui não temos praças, não temos toureiros, mas também não fazemos chantagens. Lutamos sim, pelos direitos da liberdade de expressão e da não castração dos direitos de um jornalista.
As consequências, vivemo-las, com a consciência tranquila. Mas elas existem, são duras, mas ainda assim, não recuaremos no compromisso assumido com a verdade.

Vale para tudo. Não recuaremos, sejam quais forem as pressões.

Somos diferentes.
Somos unidos. Coesos!

Somos gratos.

Hoje, apetece-me agradecer com nomes.
Hoje, apetece-me agradecer gestos.
Hoje, apetece-me agradecer aos meus Pais, aos Pais do João Dinis... por estarem sempre lá!
Hoje, apetece-me agradecer ao Rodrigo Viana, ao António Carneiro!
Hoje, apetece-me agradecer ao João Pedro Bolota e à forma como nos recebeu em Santarém há 11 anos atrás, mas sobretudo, agradecer o abraço de Sábado passado. Os bons, ficam!
Hoje, apetece-me agradecer ao Rui Farrim e ao Tiago Ribeiro, por aquele apoio em Setembro.
Hoje, apetece-me agradecer aos nossos 'parceiros' pela confiança.
Hoje, apetece-me agradecer aos nossos visitantes, também pela confiança.
Hoje, apetece-me agradecer ao Hugo Calado, pela amizade, tão grande...
Hoje, apetece-me dizer, as saudades imensas que tenho do Luís Morais Sarmento.
Hoje, apetece-me agradecer à concorrência, que nos espevita e nos faz sermos sempre melhores.

Hoje apetece-me dizer, sem falsas modéstias, que seremos sempre os melhores, até querermos que assim seja, não havendo nada, nem ninguém, que nos demova daquilo em que acreditamos.

Obrigado a todos quantos 'são TouroeOuro'...

Nós continuaremos a ser, cada vez mais e melhor TouroeOuro... porque esta é a maior liberdade que a vida nos dá!


Editorial - Maio - As primeiras palavras já foram ditas...

Editorial - Maio - As primeiras palavras já foram ditas...

  •  2022-05-16
  • Por: Solange Pinto

Foram dois anos difíceis, aqueles que se viveram em pandemia…

O medo do desconhecido. O medo da “tempestade” sanitária, mas também, o medo pelos efeitos económico-financeiros depois de tudo isto.

A tauromaquia não foi um oásis à parte da catástrofe e teve de se reinventar.

As “desmontáveis” não se fizeram, o número de espectáculos diminuiu e sentiu-se uma tentativa de almejar a qualidade em detrimento da qualidade. Até as trincheiras se esvaziaram, as cortesias alteraram-se e as voltas de agradecimento foram abolidas. Pasme-se, até os repórteres vieram para a bancada e trabalharam… de igual forma.

Máscaras ao alto e rapidamente tudo voltou ao que era…

As corridas voltaram a demorar mais de três horas, as voltas à arena são quase uma certeza das quais raramente se abdica e as trincheiras voltaram a estar estupidamente cheias. Um verdadeiro mar de gente… Voltaram as vaidades dos bacocos que pensam que apenas estando na trincheira, se lhes reconhece prestígio.

Os reportéres voltaram a fazer ‘piscinas’, dando voltas e voltas pensando que é assim que vão conseguir ‘aquela imagem’ que lhes vai mudar a vida nas galerias que ninguém tem paciência para ver, por serem tão extensas, que ‘dói’…

Mais, continuam as pândegas por aquelas bandas, mesmo e quando na arena se toureia. Pasme-se, na trincheira, chega-se mesmo a virar costas ao ruedo enquanto um forcado ‘leva na corneta’.

Se antes os bares não funcionavam, agora todos desfilam com cervejas pelas bancadas, antes, depois e durante as lides, num verdadeiro forrobodó

Coisas ridículas de um período pós-Covid em que nada se aprendeu de positivo.

Voltaram também as “desmontáveis” e se algumas sim, fazem sentido, levando assim a tauromaquia a locais sem tauródromo fixo (ou que teve e que por inércia dos taurinos, foram demolidas ou desativadas), outras há, literalmente “entaladas” entre outras datas instaladas no calendário há dezenas de anos.

A proliferação desenfreada de espectáculos é evidente, as repetições de elencos também…

A tauromaquia continua a promover-se dentro de uma bolha, a comunicar para os taurinos e em linguagens pouco acessíveis aos generalistas que não têm que saber que ‘Alternativa’ significa profissionalização.

Custa a fazer-se, de quando em vez, até se faz, mas sempre de uma forma limitada, pouco abrangente. A promoção, claro.

Mas se quisermos falar do que está “dentro”, fale-se então de entrevistas estúpidas aos intervenientes dos espectáculos, em que se diz sempre o mesmo. Discursos ‘mortos’ pela antiguidade dos mesmos e obsoletos pela escassez de novidade e arrojo nas declarações, mas nas perguntas, também.

Aparentemente não temos pandemia, mas temos uma guerra na Europa à qual ninguém parece dar importância. Quiçá com efeitos económicos mais nefastos e que, em caso de multiplicidade de espectáculos, farão os portugueses fazer opções entre uma ida abastada ao supermercado, ou a uma corrida de toiros.

Pense-se portanto em tudo isto, antes que as bancadas falem por si.

Atenção, as primeiras palavras já foram ditas com as meias casas que por aí houve…

Basta saber ouvir, ler, interpretar os sinais e já agora, dê-se o beneficio da dúvida aos gestos diferentes, de galhardia, de vontade e dos quais, podem resultar agradáveis surpresas.

Falo da Corrida do próximo sábado na Moita. Joaquim Ribeiro ‘Cuqui’ e Ricardo Levesinho, apostaram na diferença e isso merece ser premiado, num “mundillo” onde a repetição, apenas chateia!


Editorial - Abril - Cada um no seu quadrado!

Editorial - Abril - Cada um no seu quadrado!

  •  2022-04-18
  • Por: Solange Pinto

São tempos agridoces para o mundo e porque não dizê-lo, para a tauromaquia…

O silêncio parece ser um aliado de quem não quer ver o que se passa numa realidade que se pretende paralela. Se por um lado a tauromaquia portuguesa parece ter regressado a uma era mais internacional e por isso mesmo, de maior importância, por outro, há um empobrecimento envergonhado de tantos itens que compõem a classe e que a colocam em risco.

Todos estão apenas e só preocupados com o seu quadrado. Dele vivem e dos restantes, quadrados, parecem não querer saber…

Nuno Pardal deixou a Associação de Toureiros por motivos pessoais e profissionais. Deixa um vazio importante, que se colmatará, mas que tem de ser bem pensado em prol do espírito da dita classe.

A Direcção da APET demitiu-se em bloco pelo facto do trabalho estar feito. Mas está? Fechou-se um ciclo? São estes os reais motivos?

O Campo Pequeno, dará apenas quatro espectáculos. Ninguém diz nada sobre o tema?

Até quando serão apenas os aficionados a lamentar publicamente o empobrecimento em número de festejos de uma das mais emblemáticas praças de touros do mundo?

E as entidades que querem assumir os postos de comando sempre que estão em aberto? Não dizem nada?

Onde estão os toureiros? Preocupados apenas e só se fazem 20 ou 30 corridas? Mas e se perdem os palcos e pior, se perdem o mais importante palco do país? Ficamos assim?

Não bastou o exemplo de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Albufeira, Setúbal…? Vão continuar apenas a lutar pelo Vosso quadrado?

Bem sei que o Campo Pequeno tem dono, mas não será altura da afición mostrar que quer o Campo Pequeno de volta? Com mais datas, bons espectáculos e praças cheias?

Vão/ vamos deixar que nos tomem conta de tudo, porque estão todos ocupados com outros temas?

A temporada está projectada e parece ter por entre a sua cartelaria, nomes de postín vindos de fora e cuja importância da sua vinda a território luso, poderá ser bem maior que aquela que se supõe. No entanto, é preciso cuidar as repetições pela escassez de dimensão do espaço taurino português, mas mais ainda, é necessário cuidar um dos ingredientes ‘mãe’ da Festa, o toiro!

Tomemos como exemplo a corrida de Almeirim. Praça praticamente cheia, com ambientazo antes do espectáculo, mas muito pouca satisfação depois do seu término.

Que venham as Figuras, mas que não condicionem o sucesso dos festejos que têm que necessariamente correr bem. As carteiras dos portugueses emagreceram fruto de uma inflação desenfreada e se o investimento não alimentar a alma, repensa-se o próximo esforço para ir aos toiros.

A crítica tem também que ser revista. A moda é calar o que foi mau, dizer o que foi bom e acrescentar-lhe quilates mesmo que de ouro não se trate… É preciso que quem escreva de tauromaquia o faça com conhecimento. Que quem fotografe publique mais que caras bonitas, e que quem publicita, o faça sem vender gato por lebre…

É preciso profissionalismo. Em todas as áreas.

É preciso que os ódios de estimação não incorram em crimes de bolso e que não se negue o direito de informar, só porque a arrogância fala mais alto. Mais tarde ou mais cedo, o reino do quadradinho, acaba por abrir uma fenda difícil de tapar.

Um profissional de tauromaquia, tem que deixar os seus ressabiamentos de lado e abraçar a comercialização das suas funções sem questões pessoais à mistura…

Que o tamanho dos egos não façam rebentar os seus quadradinhos, porque no fim das contas, o Portugal dos fados de Amália, já não é o mesmo de outrora, mas, o glamour, a seriedade e o encanto pela tauromaquia, poderão continuar se todos estiverem em uníssono e não apenas, preocupados com as suas respectivas sobrevivências.

O ‘cada um no seu quadrado…’ impera, mas é uma estratégia errada, obsoleta e até muito estúpida.


Editorial - Março - ‘Não chores pelo que perdeste, valoriza o que ainda tens!

Editorial - Março - ‘Não chores pelo que perdeste, valoriza o que ainda tens!

  •  2022-03-16
  • Por: Solange Pinto

‘Não chores pelo que perdeste, valoriza o que ainda tens…’.

Esta é uma das mais emblemáticas frases do Papa Francisco, um Homem sábio, que pretende, pretendeu sempre, que a resignação fizesse parte das nossas vidas, das nossas condutas, de forma a acalmar os corações mais insatisfeitos.

Mas…

A resignação, é por definição, uma aceitação ou sujeição paciente às contrariedades diversas!

Só que não!

Não creio ter sido vontade de Deus, que um ditador com tiques de louco, coloque mães e filhos em fuga de um país, deixando os ‘seus’ Homens à mercê de uma morte quase certa.

Não há quem possa aceitar despedidas face ao quase certo - “nunca mais”!

A Ucrânia e tudo o que por lá se passa, inquieta-nos a todos, faz-nos pensar, mas fará, agora mais que nunca, agradecer a um sector, tantas e tantas vezes injustiçado e que na generalidade e em países como o nosso, é o sector culpado de muita coisa. Culpado porque conta, porque denuncia, porque não faz parte dos sistemas menos claros e porque não compactua com certas manobras.

Os jornalistas e o jornalismo, deverão ser a expressão máxima da liberdade…

A Rússia empurra para fora os jornalistas, por querer omitir a verdade. Prende-os, fá-los desaparecer, agredi-os!

Em Portugal, há grandes profissionais do jornalismo, profissionais das reportagens, que arriscaram a vida, que arriscaram tudo, para dar informações ricas em detalhe de “texto”, em detalhes de imagem… foram para a guerra na Ucrânia, para dignificar a carteira profissional que têm.

O que tem isto a ver com a tauromaquia?

Tudo.

O contexto da tauromaquia não é de guerra mas os jornalistas ou pseudo-jornalistas da tauromaquia, envergonham a classe... Vivem num contexto muitas vezes de mentira. De incapacidades, de falta de isenção, de falta de respeito às carteiras profissionais (mas pouco), que afinal de contas, para mais não servem que para redondear um lobby que pretende fechar um ciclo encerrado em si mesmo, para que se possa controlar tudo, todos e na totalidade.

Têm praças, têm toureiros, fazem cartazes, publicidade a troco de cêntimos, opinião manipulada por evidente conflito de interesses, integração nas associações do sector, agora – excursões… isto é o jornalismo feito pelos oportunistas que de quando em vez surgem na tauromaquia, com o apoio de outros iguais, pares na estrutura suja, muito suja. Mas pior, falta de verdade e privilégio na obtenção da informação, atropelando as regras básicas do jornalismo, mais ainda, atropelando a dignidade dos jornalistas na verdadeira e mais completa acepção da palavra.

'Como não colocaste o meu toureiro na temporada, dás-me o exclusivo do lançamento dos cartéis...' - É disto e nisto que estamos!

Choro pelo que perdi mas também valorizo o agora tenho… a dignidade que eu, os profissionais deste site e este site, nunca perderão!

Sou, somos livres!

Também tenho força que baste para ir contra o sistema. É uma promessa!


Editorial - Fevereiro - A competição tem sido cá fora…

Editorial - Fevereiro - A competição tem sido cá fora…

  •  2022-02-20
  • Por: Solange Pinto

A competição é sem lugar a qualquer dúvida, um dos factores que maior interesse pode suscitar por entre os aficionados.

Na e com a arte, não se deveria competir, mas a verdade, é que numa arena, a vontade de “um” se proclamar triunfador em detrimento de outro, faz ou deveria fazer crescer a qualidade exibida, fazer cuidar a preparação prévia ao espectáculo e sobretudo, superar e tornar efectivas as tentativas de improviso face às características que o oponente apresenta, diga-se, o toiro e suas nuances irrepetíveis…

Mas nem sempre assim é… e porquê?

Vamos aos motivos.

O triunfo, agora e de há uns anos para cá, não vale na sua maioria dos casos, repetição no tauródromo onde se alcança sucesso; não significa mais contratações e mesmo, não é sinónimo de conta bancária recheada.

Posto isto, o que sim vale, é a quantidade de praças que os apoderados têm, as alianças que os ditos gestores têm e mais ainda, as trocas que a sua capacidade negocial é capaz de fazer.

Assim sendo, certo é que um toureiro, tem que triunfar em dobro, em triplo ou mesmo em quádruplo para que seja notado, mas, tem que triunfar elevado ao expoente máximo e repetidamente para que, se o seu apoderado não tiver praças de touros o consiga incluir nos elencos diversos…

Resultado final: a competição é afinal de contas e em abono da verdade, feita cá fora. Fora da arena, fora da presença do toiro, fora do olhar do público, mas ainda assim, demasiado às claras para que algum de nós, não possa reparar…

Elevam-se os valores “oferecidos” pelas concessões dos palcos, para que se ganhe “sem espinhas” e assim afastar os “inimigos”… A competição, convençam-se, é cá fora… longe do perigo de queda de um cavalo e colhida…

A par com tudo isto, vale também ter bons relacionamentos com as figuras, que, assim sempre poderão mover influência no sentido de colocar o toureiro “A” ou “B” em determinado cartel e agora ainda também, vale ser pupilo, para que o Mestre o coloque consigo num cartel…

Demasiados factores externos que empurram o triunfo para fora da arena…

Qualquer dia e se não abrimos a pestana, corremos mesmo o risco, da parte mais interessante de uma temporada, ser o defeso, onde se discute quem tem o quê.

Dou um exemplo positivo que contraria tudo isto, e um negativo, que infelizmente corrobora o que escrevi atrás.

O positivo: Salgueiro da Costa encerra-se com seis touros, em Vila Franca. Justo, mais que justo perante a temporada de êxito que protagonizou. Mérito do verdadeiro, do legítimo e protagonismo mais que justificado.

O negativo: Ana Rita, não sei mais que poderá fazer, para que se inclua nas grandes feiras em Espanha e nos grandes cartéis, em Portugal.

De uma vez por todas, espera-se que a temporada se possa fazer, na arena, de frente ao toiro, com o risco e a genialidade dos toureiros a funcionar. Se puder ser com arte, tanto melhor…

Que a temporada não se volte a fazer cá fora, com triunfos inventados, insuflados ou camuflados. Que os triunfos não sejam só aqueles que se escrevem, mas sim aqueles que o público sente de verdade… Triunfar com o público a sair da praça para ir jantar, não é triunfo...!

 

 

 


Editorial de Janeiro - A maçã com bicho!

Editorial de Janeiro - A maçã com bicho!

  •  2022-01-11
  • Por: Solange Pinto

Há qualquer coisa aqui no burgo, que não está bem… Essa ‘qualquer coisa’, simples de ver, é afinal de contas, uma paz podre entre os empresários…

Parece haver petróleo pelos lados do Montijo e Figueira da Foz, mas pior que os valores inflacionados, são mesmo as conclusões que de tudo isto se podem retirar.

A primeira de todas elas, é que afinal, se os valores em jeito de ‘base de licitação’ atraem empresários, a tauromaquia é um negócio muito mais rentável do que os empresários defendem ser… No entanto e em contas rápidas de fazer, percebe-se que com a escassez de patrocínios na tauromaquia, tudo o que gera dinheiro, é única e exclusivamente a bilheteira e essa, fabrica tanto dinheiro assim, a ponto de tornar tudo isto um negócio rentável?

Ou afinal de contas este negócio é para alguns dos eventuais interessados um eficaz mas discreto “detergente”?

Também pode ser e numa segunda análise mais “idiota”, apenas e só uma forma de certos agentes se afirmarem neste mundo, por ser o único que lhes deu “cova” de forma a existirem socialmente.

Mais conclusões de tudo isto.

Para que existe a APET? Não era suposto haver uma concertação entre os seus associados?

Não era suposto, que afinassem todos, pelas mesmas estratégias de forma a defender um bem maior?

É que noutras matérias, já percebemos que os jogos paralelos e as acções individuais são as que imperam.

E a haver interessados (que sabemos que os há…) em gerir nestes moldes as praças da Figueira e Montijo, quem serão os prejudicados no futuro? Toureiros, ganadeiros e claro está, todas as restantes peças incluídas na promoção de um espectáculo.

Mas calma. Há mais prejudicados. Em abstracto, ou não, os aficionados acabarão também e de forma muito discreta, por pagar caro a factura… Os bilhetes subirão, a qualidade descerá ou pelo menos, resultará viciada (disto falaremos muito em breve).

E a Covid-19 e suas condicionantes? Já passou? É que até aqui pediram-se descontinhos aos diversos intervenientes dos espectáculos.

Feitas as contas, no Montijo, a renda do imóvel afecta a cada espectáculo ronda os 10.000 euros.

Na Figueira, aproximadamente o mesmo valor.

As perguntas que se impõem são: a quem interessam estes valores? Os concursos da Figueira e Montijo já foram elaborados desta forma para que se afastassem outros interessados e se favorecessem alguns…? Quem vai perder no futuro?

Enfim, arriscaria em dizer que perdem todos, numa tauromaquia que se pode bem comparar a uma maçã com bicho e apenas duas soluções: ou se corta a parte do bicho e área circundante e se aproveita a maçã sã, ou a maçã apodrecerá na sua totalidade e rapidamente.


Editorial Dezembro - Feliz Natal...

Editorial Dezembro - Feliz Natal...

  •  2021-12-24
  • Por: Solange Pinto

O TouroeOuro não faz aquela que é a única paragem do ano!
São pouco mais que 24 horas de inércia, em que nada se escreve, nada se opina, mas em que todos os desejos se renovam, numa comemoração absoluta do Nascimento de Jesus...

A passada semana, terá ficado marcada pelas acções solidárias, pela capacidade de olhar para o "outro" de forma altruísta ainda que e infelizmente, isso aconteça em muitos casos, apenas uma vez ao ano.

A Tauromaquia existe nas quatro estações do ano, nos diferentes cantos do mundo onde ainda é uma realidade e nós, cá vamos dando eco disso mesmo, numa globalidade de acções e sentimentos que se pretende Universal, o sentimento e afición a uma Festa Brava, venha ela de onde vier, com a sua multiplicidade de idiomas, tradições e nuances.

O que também é universal, embora a palavra seja tão portuguesa, é a saudade dos que partiram. Desde há dois anos, a viver o flagelo da pandemia por Covid-19, muitos são os que partiram precocemente.
Deveriam cá estar, isso é uma certeza!

O que peço, pedimos aqui no TouroeOuro, são desejos simples e ao alcance de todos nós: que nunca nos falte a verdade, que nunca ninguém nos silencie e que tenhamos todos, a capacidade de entender o "outro" e de argumentar e validar distintas opiniões sobre uma mesma temática.

No dia em que chegarem os Reis Magos, anseia-se que tragam na bagagem: amor, paz e sobretudo, muita saúde.

Hoje, que a Festa se faça não a uma mesa recheada de alimentos, mas com o necessário, o que realmente é estritamente necessário e que a verdadeira Festa, aconteça, dentro de cada um de nós.

Feliz Natal para todos, sem excepção!


Editorial - Novembro - Já nada será igual!

Editorial - Novembro - Já nada será igual!

  •  2021-11-11
  • Por: Solange Pinto

Pese embora o meu desejo de que todos os editoriais sejam publicados ao dia 10 de cada mês, a verdade é que, por uma boa evocação, adiei este escrito precisamente para hoje, dia de São Martinho...

Tradicionalmente, nesta altura do ano, o TouroeOuro está já "preocupado" em dar à estampa, artigos de opinião, comentando a temporada ora terminada... Uma espécie de balanços das mais diversas áreas da tauromaquia, não se esquivando (jamais...), a dissertar sobre quem se destacou positivamente ou até mesmo, se caso disso for, quem desampontou...

Estão a caminho, aguardem!

A opinião, continua, no mundo dos touros, a ser mal vista e bem paga (bem, vejamos... troquitos). Bem sei que esta afirmação é politicamente incorrecta, mas sabemos todos que é mais que verdadeira. Diz-me quanto pagas e logo se vê o tamanho do teu triunfo. Triunfas à força e isso, mesmo que não mude a tua carreira, eleva-te o ego, tantas e tantas vezes empobrecido de valor ou competência.

Se não se entra no "esquema", podemos tão-só dar-nos mal e aí, começa a verdadeira "tourada".
Hoje em dia, na tauromaquia, criticar, pode mesmo ser tarefa para afoitos e para todos aqueles que queiram ir a uma corrida de touros, com o "coração nas mãos", mas, com a emoção à flor da pele. Afinal de contas, em muitos dos espectáculos, parece ser esta a única sensação forte...

A tauromaquia, vive e é preciso encarar isto, num gueto, do qual ninguém quer sair.

Vamos à corrida à Varzea de Cima e todos, mas mesmo todos triunfaram gloriosamente. Esta é a melhor critica e aquela, que vale o passaporte para a Festa de fim de temporada, a tal, onde se pode levar o troféu para casa e APARECER nas fotos de um jet set completamente bacoco.

De quando em vez, aparecem loiras jeitosas com fotogenia evidente e que, se autoconvecem que "nisto", até é fácil brilhar. Segredo: barreiras duas temporadas seguidas e passaporte para o tal mundo rosa, de uma 'prensa del corazón' vista por uma meia dúzia de pessoas.

De tudo isto vive a actual Golegã, longe do glamour de outros tempos... Das dinásticas presenças, das famílias ilustres, das coudelarias afamadas e das roupas adequadamente finas...

Longe vão os tempos, em que o cheiro a castanha assada se misturava com um abafado. Hoje é a económica imperial a rainha de tudo isto e para os mais chiques, o gin da moda.

Trocaram-se os entendidos em cavalos, para os reis da "feria", os beberolas da night...!

Os convívios à volta da casa da e na Golegã, onde sempre entrou mais um, dá agora lugar ao jantar no restaurante improvisado na tenda mais badalada, eventualmente e com sorte, ao som de uma flamencada...

A foto para publicação nos sites de fotogalerias, parece ser a grande motivação das maquilhagens elaboradas e dos chapéus que ainda trazem o cheirito a mofo fruto de um ano fechados nos armários!

Por ocasião da Feira Nacional do Cavalo, impossível esquecer, que já nada é como era e que já nem o meu amigo João Cortesão por lá passeia... As suas amigas freiras, onde tradicionalmente se instalava, sentirão a sua falta e comungarão de certeza do mesmo sentimento que eu... já nada será igual!

 


Editorial - Outubro - A bolha prestes a rebentar!

Editorial - Outubro - A bolha prestes a rebentar!

  •  2021-10-17
  • Por: Solange Pinto

A temporada vive as suas derradeiras jornadas e o defeso aproxima-se irremediavelmente…

A paragem para que a criação de toiros tenha a sua continuidade, é necessária, mas mais ainda, é premente que neste defeso, se façam reflexões importantes para a continuidade da espécie, mas sobretudo, para a continuidade do “objecto” que dá mote à existência do bravo, ou seja, os espectáculos taurinos nas suas mais amplas vertentes…

Nos últimos dias, voltou-se a levantar um novo obstáculo.
A alteração da idade mínima dos espectadores, agora insuflada para os 16 anos, é e não vale a pena repetir o mesmo de outros escritos de outros autores, uma falsa questão. Ou melhor, não é questão de fundo… são pequenotas pedras nos sapatos de todos nós, apenas e só para que nos distraiamos do que é realmente urgente.
Repensar se, as pedras nos sapatos são mais importantes que o facto dos ditos sapatos estarem literalmente rotos.

A metáfora serve apenas para dizer, que a tauromaquia está envolta num ‘tapa buracos’ constante, nunca se pensando, que afinal de contas, tudo o que precisamos é mesmo de uns sapatos novos.

A questão da idade aborrece a nível moral, mas não terá efeitos práticos numa Festa Brava, onde as machadadas no orgulho, foram tão maiores.

Ai e tal ganhámos o processo de Viana do Castelo. E a Póvoa…?!
E tantas outras que levam o mesmo caminho...

Mas as praças estão lá, firmes e hirtas à espera das decisões judiciais? Claro que não estão e isso sim, é preocupante.

E agora, preocupamo-nos com questões etárias, quando há outras tão maiores que já não têm resolução e outras, mais agigantadas ainda, que estão evidentemente na calha?

Já pensaram que esta da idade mínima é apenas a menor, de uma outra que está “cozinhada” e que nos pode “colocar nos olhos” um velcro?

Vamos lá deixar de branquear aquilo que nos pode verdadeiramente “matar” e dar valor e trabalhar no que urge que não seja ignorado.

Soluções? Há.
Uma das mais importantes, é tentar perceber o que falhou em palcos de visibilidade importantes e tratar de corrigir erros, de forma a que, “os de fora” não pensem que a tauromaquia está obsoleta.

Vamos lá trazer novidades às arenas, motivos de interesse e concertação na montagem de espetáculos e respectivos elencos.

Temos todos que sentir, que não toureiam só os que têm apoderados com praças, que não toureiam sempre os mesmos, num enjoo inevitável, em lides sem novidades, com os mesmos “números”, sempre guardados para os últimos toiros e achar que está tudo bem assim e que o público sente o apelo de ir ver sempre o mesmo. E a pagar “bem” por uma coisa que até já tinha visto "ontem"!

As praças têm que estar limpas, bonitas, sem pó, em espectáculos com ritmo.

Os cartéis têm de incluir competição e aliciantes. Novidades, “peleas”…

Os toiros, têm que ser toiros. Não nos podem dar a sensação de facilidade e total ausência de perigo.

A crítica tem que existir, sem ser comprada. Tem que poder contar o que foi bom, o que correu menos bem e não ter medo de andar na rua com medo de uns e outros.

Os órgãos de comunicação, têm de o ser, literalmente e cumprir aquilo a que estão obrigados.

Está na hora de respeitar e para que se seja respeitado, não inventar uma dúzia de triunfadores, quando na verdade houve sim e apenas, destaques importantes por entre um marasmo inequívoco.

É preciso mais classe. Marketing inovador.

É necessário profissionalismo e sair definitivamente de uma bolha que estás prestes a rebentar.

Talvez ainda haja tempo, mas…


Editorial - Setembro - - Se isto não é o lado romântico da Festa, então o que é...?

Editorial - Setembro - - Se isto não é o lado romântico da Festa, então o que é...?

  •  2021-09-13
  • Por: Solange Pinto

Num momento em que procuramos valores na tauromaquia, capazes de suportar afrontas diversas, por parte de anti-taurinos e mesmo, de alguns taurinos, concentremo-nos, num “bocadinho” de romantismo que ainda resiste…

Já lá iremos…

A Tauromaquia em Portugal, está definitivamente absorvida pelo toureio a cavalo e pelos rapazes das jaquetas de ramagens e nisso, não vem mal ao mundo. Ninguém tem que estar contra ninguém e podemos gostar e beber das duas artes, toureio a cavalo e a pé.

Contudo, nota-se e não digam que não, um certo sectarismo e divisão de tauromaquias e uns, parecem não estar com os outros, quando importante seria, complementarem-se.

Gosto de ser justa e por isso, terei de enaltecer a coragem de Luís Miguel Pombeiro ao promover uma corrida de oito toiros, todinha a pé. O cartel, mesmo com Finito de Córdoba (na sua formula original), era meio esquisitito, mas, a verdade é que o empresário, deu o passo em frente na promoção desta arte.

Mas, também é importante dizê-lo. Se fazemos algo, temos de fazer para ganhar. Não vale o ‘mais ou menos’, ou o ‘aquilo serve’, pois podemos arriscar a ter nas bancadas meia dúzia de pessoas e aí sim, colocar em causa uma série de outras coisas em causa…

Para que vale promover o toureio a pé, se não lhe dermos força?

Pois bem, percebemos todos que a não vinda de Finito à Tenta que serviu de apresentação do dito cartel lisboeta, não era bom presságio. A substituição por Román, pese embora o seu valor, não era equiparada em termos de ‘cartel’ e por isso, o Campo Pequeno ressentiu-se.

Voltemos ao toureio a pé e no importante e urgente que é apoiá-lo.

Hoje no Sobral, terça e quarta na Moita, depois Vila Franca.

Temos todos de ir aos toiros e alimentar a esperança, de que daqui a uns anos, não tenhamos apenas folclore do barato e tenhamos toureio do ‘caro’, do ‘fino’ e personagens capazes de alimentar com romantismo, tudo isto que agora tem demasiada escassez de tantos valores importantes.

Em Lisboa, na passada quinta-feira, estava José Trincheira. Mas estava também, um Homem que me fez cair a lágrima, o que acreditem, já não é fácil.

Manuel Jacinto, foi empresário, mas foi principalmente, toureiro de prata. Foi toureiro. Ponto!

Este Homem, andou de lado para lado, chamando a atenção de todos para que estava ali, na bancada, José Trincheira e que merecia um brinde da parte de algum dos matadores.

Passado algum tempo e tentativas, veio ter connosco para avisar que o brinde iria acontecer por parte de Dias Gomes e que captássemos o momento.

Entendem o que quero dizer? Manuel Jacinto, correu ‘seca e meca’ para dar protagonismo a outro toureiro. Não pediu nada para si ou para a sua vaidade pessoal. Se isto não é o lado romântico da Festa e o lado que quero ver dos Grandes Homens, então o que é?


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