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Editorial - Janeiro - A Hola Primavera-Verão 23

Editorial - Janeiro - A Hola Primavera-Verão 23

  •  2023-01-17
  • Por: Solange Pinto

A Tauromaquia diz-se de tradição, mas, à semelhança de outras temáticas, sofre de e com as modas…

É uma coisa bem ao jeito das tendências de vestuário para cada ano.

Mas a forma como ficamos a par das alterações na alta-costura, também mudou! Antes, uma senhora interessada em andar na ‘crista da onda’, aguardava pela Hola e tinha material de ‘leitura’ para as próximas 20 idas ao cabeleireiro. Passear a Hola Primavera-Verão, dava uma certa categoria… talvez ainda dê.

Essa categoria, era à vez canalizada de forma distinta.
Umas senhoras, rumavam ao El Corte Inglés e iam directinhas à Escada ou Carolina Herrera, outras, iam à costureira lá do bairro, com um rolo de tecido comprado na baixa de Lisboa e… ‘D. Perpétua, faça-me um tailleur igualzinho a este. Mas não demore por favor, tem que estar pronto em Março, preciso de o levar a Olivenza…’.

O que contava mesmo era dar nas vistas, fosse lá como fosse.

Hoje em dia, a coisa não mudou muito. O veículo é que já não é o mesmo. Agora são as influencers quem ditam o que comer, vestir, fazer…

Lá vão elas ver o que fazem as ‘Madalenas Abecasis’ da vida e fazer igual.

Depois, há as pessoas normais. As de personalidade, as que decidem sozinhas o que vestir, comer, fazer, ler…

Pois bem, na tauromaquia as coisas são basicamente iguais. Houve alguém que um dia resolveu ter uma assessoria de imprensa e vai daí, todos a fazer o mesmo.

Depois, houve a moda dos jantarinhos de entregas de troféus e vai daí, brotaram tipo cogumelos.

Também houve o tempo, das apresentações oficiais de Feiras como as da Moita ou a Temporada no Campo Pequeno e vai daí, todos a fazer apresentações de uma única corrida, cujo cartel já todos sabiam…

Ah, agora é a mania, ups, rectifico, moda, de dizer que se conseguiu para um toureiro, x contratações, ou que o toureiro tal, já está ‘firmado’ em x corridas para a empresa ‘a’ ou ‘b’, como se isso fosse um feito histórico…

Já todos percebemos quem vamos ver e onde.

Ah, os que se julgam influencers, fazem exactamente o que lhes mandam, divulgam coisas que já todos sabem. Tal como as influencers, arriscam-se a conseguir encher o frigorífico para o mês, mas entende-se, a crise é ‘brava’.

A tauromaquia está assim, muito mais ao género da D. Perpétua, costureira lá do bairro… Mas o que importa, é que passeamos a Hola e julgamos que enganamos alguém…

Todos a fazer o mesmo, todos a ver o mesmo, sem novidades, sem arrojo, sem verdade, com contratações que se anunciam como 'feitos', mas que afinal eram apenas as esperadas. A tauromaquia, precisa de mais do que das Perpétuas que por aí andam a proporcional material contrafeito, imitações dos bons tempos, da categoria a que todos estavamos habituados, nos tempos, como dizem os que pensam que são influencers, de fidalguia...


Editorial - Dezembro - O Diabo continuará a vestir Prada

Editorial - Dezembro - O Diabo continuará a vestir Prada

  •  2022-12-11
  • Por: Solange Pinto

“Lá” e em qualquer país do mundo tem mal que os directores dos órgãos de comunicação liderem os seus meios de comunicação e mantenham ligações a intervenientes da Festa, Associações do sector e empresariado taurino… mas “cá” não tem…

“Lá” não tem mal que se alvitrem os cartéis da mais importante praça de touros do mundo, mesmo e quando estamos a quase meio ano da realização desses espectáculos… mas “cá” tem…

Tudo isto serve para dizer que no nosso Portugal das touradas, tudo se permite, mesmo e quando se vê um claro conflito de interesses, conflito esse, que esbarra determinantemente na isenção a que um jornalista deve estar devoto.

Princípios invertidos e que um dia mudarão, mesmo que seja tarde demais.

Pois bem, o TouroeOuro não alvitra os cartéis de Madrid como fazem e bem, os órgãos espanhóis, mas continuará a fazer bem o seu trabalho de informar, uma missão que assumiu há quase 12 anos.

Passadas as festas das lantejoulas, seguimos na nossa festa, a que lideramos, a que é de quando em vez, mal abraçada pelos ditos intervenientes que não conseguem dominar o indominável, o TouroeOuro.

Não queremos, nunca quisemos enveredar por certos percursos sinuosos e assim continuaremos. Mas também não vergamos a pressões, de quem dentro da bolha quer vetar a entrada aos demais, transformando a tauromaquia num meio fechado, bloqueado a quem ousar questionar certas coisas, ou aberto sim e apenas a quem entre com donativos para manter a tauromaquia rentável a título individual.

Pois bem, se isto é uma declaração de intenções? É.

O TouroeOuro não morre, nem que o matem, mas nem sequer desmaia… o TouroeOuro, na próxima temporada, continuará com a sua linha editorial, dela não abrirá mão e ficam duas promessas para 2023, maior acutilância na crítica e menos caldos de galinha (mais ainda e não estamos a brincar…) e, novos projectos, arrojados e de forma a marcar a diferença, como sempre foi nosso apanágio desde a primeira publicação, em Junho de 2011.

Temos uma história, criaremos e faremos nova história, vamos defendê-la e não aceitaremos menos do que ser os líderes da informação tauromáquica em Portugal.

Que fique claro: não damos prémios, mas informamos. Não organizamos corridas, mas damos notícias em primeira-mão e não apenas comunicados. Não apoderamos toureiros, mas analisamos com isenção e frontalidade as suas prestações. Não estamos nas Associações dos diversos sectores, mas acompanharemos tudo o que nelas se passar, contando a sua actividade e denunciando a sua inactividade.

Por ser o último Editorial do ano 2022, resta-nos desejar um Feliz Natal a todos os nossos visitantes, agradecer-lhes a preferência, e retribuir com trabalho, do bom!

Aos anunciantes, prometer muita visibilidade e aos agentes taurinos, pedir que façam mais, melhor e com maior seriedade. Que impere o profissionalismo e menos amadorismo em tudo; que a Defesa da Festa exista, sem mais demolições ou praças inactivas ou esquecidas e que o negócio se faça, subtraindo as negociatas e esquemas, proliferando o jogo limpo, em vez das dívidas que transformam a tauromaquia num negócio a crédito.

Foram as lantejoulas mas aqui continuamos a ser Diabos e continuamos a vestir Prada...

Feliz Natal e um triunfal ano de 2023.


Editorial - Novembro - Um investimento sem retorno...

Editorial - Novembro - Um investimento sem retorno...

  •  2022-11-13
  • Por: Solange Pinto

A Feira Nacional do Cavalo, não pode, nem deve ser considerado um evento ligado à tauromaquia... A FNC é um evento de e para amantes do cavalo, que propicia a mostra do Rei desta festa, o cavalo, e nesse campo, surgem os taurinos, cavaleiros tauromáquicos, pelo facto de em comum com a Golegã, terem um dos elementos de tudo isto...

Mas atenção, que jamais se confundam as coisas. Na tauromaquia, o Rei da festa é o Toiro e nesse, parece que ninguém aposta com o mesmo fulgor.

Falo nisto, não por não ser tremendamente fã do evento em questão, reconhecendo-lhe a importância, mas porque, a Golegã parece ter sido adoptada pelas gentes da Festa dos Toiros, como se da sua própria Festa se tratasse.

Temos e devemos de agradecer à Golegã pelas exaltações feitas ao longo dos anos, às gentes importantes da Tauromaquia, mas é isso e só isso. Bem diferente, de quem acha que a Golegã é palco de desfile de toureiros. Não, é o palco de desfile de cavaleiros tauromáquicos, que por motivos óbvios, têm no cavalo, uma paixão, uma 'arma' de trabalho num dos sectores da tauromaquia e que ali, desfrutam desse mesmo mundo.

A Golegã é terra de toureiros e a prová-lo, o reconhecimento público, aos 'filhos da terra', ali imortalizados em estátuas que dão mor importância à vila.

Mas não é essa a essência do nosso escrito. A Feira Nacional do Cavalo, não se confundam, é a Feira do Cavalo e não do TOIRO. É disso que nos queixamos. Que os taurinos no geral, mas forcados, empresários, ganadeiros, artistas (a pé ou a cavalo), não se foquem no que realmente deveriam e que tenham adoptado esta Festa, como a sua, esquecendo-se que por exemplo, a Feira do Toiro, acabou!

Estes dias que passaram, a Golegã foi visitada ou mesmo albergou toneladas de intervenientes da e na Festa dos Toiros, que ali investiram recursos... e as suas actividades profissionais...?

Mais, os copos e copinhos, ânimos exaltados com direito a reprodução de imagens, será que é abonatório para o mundillo dos toiros? É esta a publicidade que querem passar?

Não estaria em tempo, de trocar 'Dias da Tauromaquia', que apenas servem para alimentar ainda não percebi bem o quê (ou se percebi escuso-me a comentar... pelo menos agora), por uma Feira redimensionada, actualizada aos tempos actuais, modernizada, com a intervenção de todos os que passeiam pela Golegã, apoiada e publicitada por todos e inclusive, pelos generalistas e já agora, sem estalos à mistura, mas sim, classe e glamour...?

Ou será, que o dinheirito ali gasto em copos, casetas e outras coisas mais, não dará para em união de esforços em prol de uma 'coisa' que afinal de contas, queremos todos defender.

Ahhh e atenção, eu enquanto aficionada, não me sinto representada em Galas! Esse 'pavoneanço' não representa a tauromaquia, mas sim a vaidade de alguns e nisso, não se incluem os pagantes de bilhetes, quer se queira ou não, são a verdadeira máquina que move a Festa!

Há investimentos sem retorno e na tauromaquia, há desses e muitos! E depois não se honram os compromissos que devem ser honrados...

Vamos lá ser sérios, de contas direitas, sem estalos em tudo o que é esquinas de praças, na Golegã e outros locais mais e passar uma imagem mais direitinha do que é a Tauromaquia!


Editorial - Outubro - O lobby tauromáquico...

Editorial - Outubro - O lobby tauromáquico...

  •  2022-10-08
  • Por: Solange Pinto

A ingratidão é uma característica da malta dos toiros. A cegueira, egocentrismo e necessidade de protagonismo, também… mas calma, nem tudo é tão mau assim. A capacidade de festejar sabe-se lá o quê em momentos difíceis, denota a franca aptidão que a malta dos ‘bois’ tem para dar a volta por cima e de se dedicar à festarola!

Versatilidade, também é uma característica.

Correndo o risco de ser repetitiva, lá vou eu, enumerar as praças perdidas em pouquíssimos anos: Espinho, Cascais, Viana do Castelo, Póvoa de Varzim e Albufeira! Acrescento ainda, as que estão encerradas, sem explicações e sem que nelas se fale, não vá a malta acusar alguém de ser ‘culpado’: Cabeço de Vide, Crato e Setúbal.

Se a isto somarmos a redução drástica de espectáculos em Lisboa (Campo Pequeno), temos de verdade, motivos para nos sentarmos à mesa e almoçar, bonitos, maquilhados, barbas feitas, discursos compostos com palavras de sete e meio, pouco comprometedoras, promessas bacocas e esperançosas de coisa nenhuma, mas tudo, em prol de uma tauromaquia pronta a brilhar, ainda que pouco…

Festeje-se, portanto!

Se às demolições, encerramentos e outras coisas mais, juntarmos a venda de gato por lebre, como aconteceu em Évora, ou cartéis repetitivos e/ou, elencos familiares em praças com influências também familiares, temos uma miscelânea porreira, para percebermos que isto está no bom caminho…

O comunicado da NEPE (empresa gestora de Évora), seria imensamente oportuno, desde que feito antes de encaixarem o guito da venda de bilhetes, porque depois, cheira a ‘sopas depois de almoço’… mas o que interessa isso? O público lesado, que se lixe.

Pois bem, voltemos à festarola da passada semana, mantida na ‘clandestinidade’ não fossem os ‘mitras’ quererem ir… Quem são os ‘mitras’? Os que não foram convidados, alguns, de mor-importância…

Foram quais? Os que adoram a festarola, os que a promovem e os que provam, que mesmo que se mudem as caras das associações, do ‘mando’ da tauromaquia, a conduta, é e será sempre a mesma.

Pois bem, foram os tais da versatilidade que falava lá atrás. Os que protagonizam de tudo e em mau na tauromaquia. Foram aqueles que fazem de conta, que dão um donativo para a defesa da Festa e que de cada vez que o fazem, acontecem duas coisas: cai uma praça e vão de férias à conta dos parolos, que aproveitam a oportunidade para comprar um vestido de gala e tentar ter 5 minutos de fama, dentro, obviamente, da área circunscrita à tauromaquia.

Pois bem, a tauromaquia, na sua festarola da Assembleia, não convidou nenhum órgão de comunicação a estar presente. Apenas forneceu dados aos seus braços armados (nalguns casos, amputados de seriedade e na verdade, baratuchos que é exactamente aquilo que a tauromaquia pode sustentar…).

Compreenda-se: os órgãos de comunicação não almoçam nem jantam, fazem coberturas de eventos e reporta-os nos seus espaços. Mas na tauromaquia não há esse interesse. Conseguem perceber porquê?

Expurgam-se certos empresários porque não pertencem à elite (de carteira cheia de papéis e não são notas). Chutam-se para fora certos artistas (verdadeiras figuras do toureio), ganadeiros e até órgãos de comunicação (numa afirmação de ingratidão inequívoca para com os ‘o.c.’ da especialidade), encerrando-se tudo naquilo a que se chama lobby tauromáquico.

Os artistas que se quer, os empresários que se quer, os grupos de forcados que se quer, os órgãos de comunicação dos tipos que fazem tudo e filtram as opiniões.

Pois bem. Agradeça-se à anfitriã e reze-se que seja ela, ou eles, a votarem a favor da existência da tauromaquia quando a isso forem chamados… e nunca esqueçam também, que a Praça de Touros Carlos Relvas, está em Setúbal, capital de distrito, o mesmo, onde se insere a Moita e todos os políticos que dali são…

Coloque-se na cabeça: EXISTE UM LOBBY TAUROMÁQUICO!!!

Nós por cá, não damos palco às louras da vida, mas sim às notícias que dominam a tauromaquia, que a cuidam e daqueles que dela fizeram e fazem parte.

Faço um apelo: esqueçam esta ‘caca’ de almoços na Assembleia, e vá à Moita, no dia 15, Homenagear um dos nossos, este sim, dos nossos, Júlio André!


Editorial - Setembro - God Save The King!

Editorial - Setembro - God Save The King!

  •  2022-09-10
  • Por: Solange Pinto

Mesmo que outros temas se atravessassem na actualidade mundial, a morte ainda que não prematura de Isabel II, a Rainha, marcaria sem lugar a quaisquer dúvidas o mês de Setembro e porque não dize-lo, o ano 2022.

Repare-se mesmo, que este ano, foi e é rico em mudanças… Em Fevereiro estalou a Guerra na Ucrânia; agora, a partida de um rosto consensual, um símbolo para os monárquicos, mas muito mais que isso, a verdadeira personagem que viveu muito, viveu tudo e que acompanhou a vida de todos quantos nascemos há menos de 96 anos.

Caso para dizer ‘God Save The Queen’… Porque queremos na verdade, que fique bem, onde quer que descanse a sua condição de grande Mulher, das poderosas, diferentes, carismáticas e em simultâneo, das sensíveis nas questões mais suigeneris.

Sabemos todos, que se mudam os tempos, mudam-se as vontades e as feições da ‘união’. Mudam-se os tempos, sucedem-se os episódios e a vida continua, mas sem as referências, com as tradições adaptadas e a queda de popularidade ou, no limite, da importância dos ‘tais símbolos’…

Agora…

‘God Save The King’!

Nunca esta ‘frase’ de emblemático significado me fez tanto sentido. Para mim, para nós e pese embora a importância de inúmeros outros tauródromos em Portugal, o Campo Pequeno é o verdadeiro Rei dos tauródromos. Que Deus o salve dos que não o querem entre nós… Mais não se diz porque o tema parece tabu e claro, quem ouse falar nisso, pode estar não mais que a rogar ‘pragas’ e pode até, fazer-se ouvir ou ler pelos inimigos…

Tapar o sol com a peneira, parece ser o que temos de fazer todos, para que a nossa alma resulte imaculada e para que pertençamos à ala dos súbditos.

Fica-nos a memória de uma temporada curta em demasia, nem sempre majestosa ou imperial, mas cuja sorte que protege os audazes, conferiu aos espectáculos, noites com bons apontamentos… A corrida da passada quinta-feira, arrisca mesmo ser uma das mais ‘redondas’ da temporada. Mas sejamos francos, impunham-se quatro casas ESGOTADAS. Não aconteceu, sendo que os motivos, descortinaremos depois.

Entretanto, temos em Festa a verdadeira Queen da tauromaquia lusa.
A Moita está a ponto de começar e pese embora o carinho ‘particular’ que sinto por esta praça, não me custa dizer, que o elenco é de luxo, diversificado e que merece, que todos se coloquem ao lado, pela sua História e relevância no panorama português.

A vida não está para brincadeiras… economicamente falando, sabemos do quão difícil é ‘colocar a cabeça no buraco’, mas, apareçamos agora, provemos que vale a pena continuar com ‘isto’ e que todos, somos poucos para segurar as tradições que nos distinguem como um povo distinto, de referências e de princípios.

Salvemos a alma das nossas recordações, mas criemos outras, para que se assegure o Futuro na e da Tauromaquia.

Já sabe, é a hora, Moita é Moita e Daniel do Nascimento, deverá ser aclamada como uma das quatro mais importantes praças de touros do país.


Editorial - Julho - Temporada quente!

Editorial - Julho - Temporada quente!

  •  2022-07-16

Este ano 2022, está, infelizmente marcado pelas elevadíssimas temperaturas e consequentes incêndios que assolam o país.

A primeira palavra deste Editorial, não poderia deixar de ser para os Bombeiros. Todos os Bombeiros do país e do mundo.

A segunda palavra de solidariedade, é para os amigos de Abiul. Passaram maus momentos e mesmo crendo que o sabem, o TouroeOuro disponibiliza o nosso espaço para aquilo que entendam necessário e que possa ser útil…

As gentes dos toiros foram sempre muito solidárias com tudo e todos. Sempre se mobilizaram em torno de causas e isso, fez sempre a diferença num país de brandos costumes e que, nos momentos frágeis, se une…

A tauromaquia sempre assim foi, mas, de dentro para fora, porque de dentro para dentro, nem sempre assim é.

No fim-de-semana passado, não houve espectáculos, mas nos dois anteriores, houve cerca de 18 eventos tauromáquicos. Facto que prova o que atrás disse.

Os empresários continuam pouco concertados no que a datas concerne, sendo que estão mais concertados nas trocas e convénios e “obrigações” e em “cambiar” favores…

A palavra já não vale. Teremos que passar definitivamente à fase do contrato.

Pois bem. Neste alinhamento, surge um empresário que ignora o TouroeOuro, porque ousa dizer aquilo que nunca quis ler. Pensando que nos faz mal, não nos comunica a apresentação da temporada na Nazaré. Apenas fez mal ao tauródromo que gere…

No mesmo alinhamento, surge outro empresário, que utiliza a sua página da rede social Facebook para desmentir o que apenas dias depois, viria a confirmar na mesma plataforma. Ora se isto não é estado de loucura deste pessoal todo, então que será?

Não vi nunca, Ramón Valencia a chamar de “bruxos” os jornalistas do Mundotoro, Aplausos ou mesmo El Mundo por alvitrarem os cartéis da Feira de Abril de Sevilha. Talvez Ramón Valencia, do alto da sua veterania, perceba que um órgão de comunicação publica notícias. Publica notícias quando são isso mesmo, notícias, novidades, informações ainda não conhecidas.

Mas porque raio incomoda tanto os empresários, que cada um faça o seu trabalho e bem feito? E porque raio os blogs publicam os desabafos dos empresários nas suas páginas de Facebook, as mesmas onde hoje publicam estes desabafos, amanhã, fotos de éguas e no outro dia, fotos de qualquer outra coisa?

Apenas ridículo da parte do empresário, do blog a quem pagam para dar eco a isto e que agora deveria ter reconhecido, que afinal o TouroeOuro até sabia o cartel de Beja, como sabe tantas coisas, graças às suas boas e fidedignas fontes.

Estamos assim, mas cabe-me entender, pois a destrinça do que é um órgão de comunicação, um blog pessoal de promoção dos seus autores, ou mesmo de uma página de Facebook onde se ‘postam’ imagens de corridas, não está ao alcance de todos, num país que tenta abandonar o estigma de “terceiro mundo”, mas, que nestes momentos, está intimamente ligado com o “quarto mundo”…

Não levemos por isso a mal, que os mesmos meninos que encabeçaram a feitura de um ‘acórdão’ a pedir sabe-se lá o quê, a sabe-se lá quem e que muita gente assinou aí há uns anos, uma vez mais, por desconhecimento do tema, sejam agora os mesmos que dão pulos e pinotes, por se ousar questionar as suas presenças nas trincheiras.

Primeiro. Ainda que se não entendam ou mesmo desconheçam os critérios da IGAC para tal proibição dos fotógrafos nas trincheiras, as reportagens far-se-ão na mesma, como se fizeram em tempos COVID.

Segundo. Um jornalista é sempre um jornalista. Na bancada, na galeria ou na varanda de um prédio. No entanto, quem quis espalhar o veneno, agora esbarrou nele e até o irá provar.

Terceiro. O problema, além de diversas chamadas de atenção bacocas, é que as correrias nas trincheiras, andavam a ser vistas… A falta de argumentos, a escassez de motivos para ali estarem e até os percalços já acontecidos a alguns fotógrafos que não sabiam o que era um toiro que nunca se lhe perde a cara…

Quarto. A maior de todas as questões, é que a maioria dos fotógrafos, são apenas e só isso mesmo. Fotógrafos para plataformas não vistas; fotógrafos que utilizam tudo e tudo para vender umas fotos tiradas para as bancadas e agora também, para o arquivo dos próprios toureiros ou grupos de forcados.

Jornalistas, opinião e crítica é que há muito pouca. Talvez porque isso seja para os valentes, para aqueles que vivem bem com anticorpos.

Quinto. “Ou há moralidade ou comem todos…” e agora, será interessante ver como decorrerá a distribuição das escassas senhas…

Podíamos continuar a enumerar isto e aquilo, mas é uma profunda perda de tempo. A malta dos toiros continua a fazer das tábuas de trincheira uma varanda de vaidades, de discussão de temas diversos e até de passatempo enquanto os outros se enfrentam com o toiro.

Neste Portugal das touradas, há órgãos de comunicação com tentáculos ou mesmo, tentáculos com órgãos de comunicação. Chamo de um polvo de ventosas que em pouco tempo perderão a capacidade de se agarrar a paredes, sendo que escorregarão por falta de poder de fixação…

O negócio agora é: levo o toureiro, faço os cartazes, faço publicidade no site e ainda, tenho uma praça para troca, e tentáculos noutras praças e como se isso não chegasse, ainda posso manobrar opinião e ainda estou nas associações. Pobre do site, por sujar o nome de “órgão de comunicação”, pobres cartazes em que os toureiros surgem sempre de boca aberta e coitado do toureiro, que “borra” todo o prestígio conseguido pelos antepassados…

Mundillo sem reserva de mínimos no que a ética concerne e conflito de interesses, nem sabem o que é…

É nisto que estamos, numa temporada que promete ser quente, de rebeldias, de “pânicos de bancada” e outras coisas mais.

Gostemos mais ou menos dos elencos, com maior ou menor esforço financeiro, até abdicando das férias ou da ida à jantarada, o que importa mesmo, é ir ao Campo Pequeno na próxima quinta-feira. Depois será tarde para chorar a sua perda, agora é o momento de agir.

Vista a sua melhor roupa, coloque a melhor maquilhagem, vá ao cabeleireiro, coloque a gravata ou a camisa de linho e mostre que o Campo Pequeno é um tauródromo de elite que sempre foi, que vive de gente bonita, ordeira e educada e que mesmo numa época “branqueada” de regras básicas de ética, a tauromaquia, ainda é uma “Escola de Valores”.

Que a próxima quinta-feira, seja um refresco neste verão quente…

 


Editorial - Junho - A liberdade que a vida nos dá...

Editorial - Junho - A liberdade que a vida nos dá...

  •  2022-06-10
  • Por: Solange Pinto

O TouroeOuro passou a fase da rebeldia.
Está hoje mais calmo, tranquilo, sereno, seguro, mas, sempre acutilante e sem 'papas na língua'.

O TouroeOuro cumpre, 11 felizes anos de 'vida'. Felizes de verdade. Felizes com a verdade.

O TouroeOuro, está sobretudo, mais maduro. Não explode por qualquer coisinha, mas não guarda para contar depois. Não tem amarras, não cala o que deve ser dito nem deixa de publicar a notícia que todos querem ler, mas que os 'agentes' querem silenciar.

Somos polémicos. Somos amados por uns, talvez não gostados por outros, mas todos cá passam para espreitar o que se passa!

Continuamos com opinião. Com os segredos, com os DIRECTOS... Passam hoje exactamente 11 anos desde que inovámos. O primeiro DIRECTO.

Continuamos a fazê-lo. Conseguimos a rapidez na publicação das criticas, mas... calma... Não nos apetece deixar de inovar... Aguardem-se as novidades.

Aqui não temos praças, não temos toureiros, mas também não fazemos chantagens. Lutamos sim, pelos direitos da liberdade de expressão e da não castração dos direitos de um jornalista.
As consequências, vivemo-las, com a consciência tranquila. Mas elas existem, são duras, mas ainda assim, não recuaremos no compromisso assumido com a verdade.

Vale para tudo. Não recuaremos, sejam quais forem as pressões.

Somos diferentes.
Somos unidos. Coesos!

Somos gratos.

Hoje, apetece-me agradecer com nomes.
Hoje, apetece-me agradecer gestos.
Hoje, apetece-me agradecer aos meus Pais, aos Pais do João Dinis... por estarem sempre lá!
Hoje, apetece-me agradecer ao Rodrigo Viana, ao António Carneiro!
Hoje, apetece-me agradecer ao João Pedro Bolota e à forma como nos recebeu em Santarém há 11 anos atrás, mas sobretudo, agradecer o abraço de Sábado passado. Os bons, ficam!
Hoje, apetece-me agradecer ao Rui Farrim e ao Tiago Ribeiro, por aquele apoio em Setembro.
Hoje, apetece-me agradecer aos nossos 'parceiros' pela confiança.
Hoje, apetece-me agradecer aos nossos visitantes, também pela confiança.
Hoje, apetece-me agradecer ao Hugo Calado, pela amizade, tão grande...
Hoje, apetece-me dizer, as saudades imensas que tenho do Luís Morais Sarmento.
Hoje, apetece-me agradecer à concorrência, que nos espevita e nos faz sermos sempre melhores.

Hoje apetece-me dizer, sem falsas modéstias, que seremos sempre os melhores, até querermos que assim seja, não havendo nada, nem ninguém, que nos demova daquilo em que acreditamos.

Obrigado a todos quantos 'são TouroeOuro'...

Nós continuaremos a ser, cada vez mais e melhor TouroeOuro... porque esta é a maior liberdade que a vida nos dá!


Editorial - Maio - As primeiras palavras já foram ditas...

Editorial - Maio - As primeiras palavras já foram ditas...

  •  2022-05-16
  • Por: Solange Pinto

Foram dois anos difíceis, aqueles que se viveram em pandemia…

O medo do desconhecido. O medo da “tempestade” sanitária, mas também, o medo pelos efeitos económico-financeiros depois de tudo isto.

A tauromaquia não foi um oásis à parte da catástrofe e teve de se reinventar.

As “desmontáveis” não se fizeram, o número de espectáculos diminuiu e sentiu-se uma tentativa de almejar a qualidade em detrimento da qualidade. Até as trincheiras se esvaziaram, as cortesias alteraram-se e as voltas de agradecimento foram abolidas. Pasme-se, até os repórteres vieram para a bancada e trabalharam… de igual forma.

Máscaras ao alto e rapidamente tudo voltou ao que era…

As corridas voltaram a demorar mais de três horas, as voltas à arena são quase uma certeza das quais raramente se abdica e as trincheiras voltaram a estar estupidamente cheias. Um verdadeiro mar de gente… Voltaram as vaidades dos bacocos que pensam que apenas estando na trincheira, se lhes reconhece prestígio.

Os reportéres voltaram a fazer ‘piscinas’, dando voltas e voltas pensando que é assim que vão conseguir ‘aquela imagem’ que lhes vai mudar a vida nas galerias que ninguém tem paciência para ver, por serem tão extensas, que ‘dói’…

Mais, continuam as pândegas por aquelas bandas, mesmo e quando na arena se toureia. Pasme-se, na trincheira, chega-se mesmo a virar costas ao ruedo enquanto um forcado ‘leva na corneta’.

Se antes os bares não funcionavam, agora todos desfilam com cervejas pelas bancadas, antes, depois e durante as lides, num verdadeiro forrobodó

Coisas ridículas de um período pós-Covid em que nada se aprendeu de positivo.

Voltaram também as “desmontáveis” e se algumas sim, fazem sentido, levando assim a tauromaquia a locais sem tauródromo fixo (ou que teve e que por inércia dos taurinos, foram demolidas ou desativadas), outras há, literalmente “entaladas” entre outras datas instaladas no calendário há dezenas de anos.

A proliferação desenfreada de espectáculos é evidente, as repetições de elencos também…

A tauromaquia continua a promover-se dentro de uma bolha, a comunicar para os taurinos e em linguagens pouco acessíveis aos generalistas que não têm que saber que ‘Alternativa’ significa profissionalização.

Custa a fazer-se, de quando em vez, até se faz, mas sempre de uma forma limitada, pouco abrangente. A promoção, claro.

Mas se quisermos falar do que está “dentro”, fale-se então de entrevistas estúpidas aos intervenientes dos espectáculos, em que se diz sempre o mesmo. Discursos ‘mortos’ pela antiguidade dos mesmos e obsoletos pela escassez de novidade e arrojo nas declarações, mas nas perguntas, também.

Aparentemente não temos pandemia, mas temos uma guerra na Europa à qual ninguém parece dar importância. Quiçá com efeitos económicos mais nefastos e que, em caso de multiplicidade de espectáculos, farão os portugueses fazer opções entre uma ida abastada ao supermercado, ou a uma corrida de toiros.

Pense-se portanto em tudo isto, antes que as bancadas falem por si.

Atenção, as primeiras palavras já foram ditas com as meias casas que por aí houve…

Basta saber ouvir, ler, interpretar os sinais e já agora, dê-se o beneficio da dúvida aos gestos diferentes, de galhardia, de vontade e dos quais, podem resultar agradáveis surpresas.

Falo da Corrida do próximo sábado na Moita. Joaquim Ribeiro ‘Cuqui’ e Ricardo Levesinho, apostaram na diferença e isso merece ser premiado, num “mundillo” onde a repetição, apenas chateia!


Editorial - Abril - Cada um no seu quadrado!

Editorial - Abril - Cada um no seu quadrado!

  •  2022-04-18
  • Por: Solange Pinto

São tempos agridoces para o mundo e porque não dizê-lo, para a tauromaquia…

O silêncio parece ser um aliado de quem não quer ver o que se passa numa realidade que se pretende paralela. Se por um lado a tauromaquia portuguesa parece ter regressado a uma era mais internacional e por isso mesmo, de maior importância, por outro, há um empobrecimento envergonhado de tantos itens que compõem a classe e que a colocam em risco.

Todos estão apenas e só preocupados com o seu quadrado. Dele vivem e dos restantes, quadrados, parecem não querer saber…

Nuno Pardal deixou a Associação de Toureiros por motivos pessoais e profissionais. Deixa um vazio importante, que se colmatará, mas que tem de ser bem pensado em prol do espírito da dita classe.

A Direcção da APET demitiu-se em bloco pelo facto do trabalho estar feito. Mas está? Fechou-se um ciclo? São estes os reais motivos?

O Campo Pequeno, dará apenas quatro espectáculos. Ninguém diz nada sobre o tema?

Até quando serão apenas os aficionados a lamentar publicamente o empobrecimento em número de festejos de uma das mais emblemáticas praças de touros do mundo?

E as entidades que querem assumir os postos de comando sempre que estão em aberto? Não dizem nada?

Onde estão os toureiros? Preocupados apenas e só se fazem 20 ou 30 corridas? Mas e se perdem os palcos e pior, se perdem o mais importante palco do país? Ficamos assim?

Não bastou o exemplo de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Albufeira, Setúbal…? Vão continuar apenas a lutar pelo Vosso quadrado?

Bem sei que o Campo Pequeno tem dono, mas não será altura da afición mostrar que quer o Campo Pequeno de volta? Com mais datas, bons espectáculos e praças cheias?

Vão/ vamos deixar que nos tomem conta de tudo, porque estão todos ocupados com outros temas?

A temporada está projectada e parece ter por entre a sua cartelaria, nomes de postín vindos de fora e cuja importância da sua vinda a território luso, poderá ser bem maior que aquela que se supõe. No entanto, é preciso cuidar as repetições pela escassez de dimensão do espaço taurino português, mas mais ainda, é necessário cuidar um dos ingredientes ‘mãe’ da Festa, o toiro!

Tomemos como exemplo a corrida de Almeirim. Praça praticamente cheia, com ambientazo antes do espectáculo, mas muito pouca satisfação depois do seu término.

Que venham as Figuras, mas que não condicionem o sucesso dos festejos que têm que necessariamente correr bem. As carteiras dos portugueses emagreceram fruto de uma inflação desenfreada e se o investimento não alimentar a alma, repensa-se o próximo esforço para ir aos toiros.

A crítica tem também que ser revista. A moda é calar o que foi mau, dizer o que foi bom e acrescentar-lhe quilates mesmo que de ouro não se trate… É preciso que quem escreva de tauromaquia o faça com conhecimento. Que quem fotografe publique mais que caras bonitas, e que quem publicita, o faça sem vender gato por lebre…

É preciso profissionalismo. Em todas as áreas.

É preciso que os ódios de estimação não incorram em crimes de bolso e que não se negue o direito de informar, só porque a arrogância fala mais alto. Mais tarde ou mais cedo, o reino do quadradinho, acaba por abrir uma fenda difícil de tapar.

Um profissional de tauromaquia, tem que deixar os seus ressabiamentos de lado e abraçar a comercialização das suas funções sem questões pessoais à mistura…

Que o tamanho dos egos não façam rebentar os seus quadradinhos, porque no fim das contas, o Portugal dos fados de Amália, já não é o mesmo de outrora, mas, o glamour, a seriedade e o encanto pela tauromaquia, poderão continuar se todos estiverem em uníssono e não apenas, preocupados com as suas respectivas sobrevivências.

O ‘cada um no seu quadrado…’ impera, mas é uma estratégia errada, obsoleta e até muito estúpida.


Editorial - Março - ‘Não chores pelo que perdeste, valoriza o que ainda tens!

Editorial - Março - ‘Não chores pelo que perdeste, valoriza o que ainda tens!

  •  2022-03-16
  • Por: Solange Pinto

‘Não chores pelo que perdeste, valoriza o que ainda tens…’.

Esta é uma das mais emblemáticas frases do Papa Francisco, um Homem sábio, que pretende, pretendeu sempre, que a resignação fizesse parte das nossas vidas, das nossas condutas, de forma a acalmar os corações mais insatisfeitos.

Mas…

A resignação, é por definição, uma aceitação ou sujeição paciente às contrariedades diversas!

Só que não!

Não creio ter sido vontade de Deus, que um ditador com tiques de louco, coloque mães e filhos em fuga de um país, deixando os ‘seus’ Homens à mercê de uma morte quase certa.

Não há quem possa aceitar despedidas face ao quase certo - “nunca mais”!

A Ucrânia e tudo o que por lá se passa, inquieta-nos a todos, faz-nos pensar, mas fará, agora mais que nunca, agradecer a um sector, tantas e tantas vezes injustiçado e que na generalidade e em países como o nosso, é o sector culpado de muita coisa. Culpado porque conta, porque denuncia, porque não faz parte dos sistemas menos claros e porque não compactua com certas manobras.

Os jornalistas e o jornalismo, deverão ser a expressão máxima da liberdade…

A Rússia empurra para fora os jornalistas, por querer omitir a verdade. Prende-os, fá-los desaparecer, agredi-os!

Em Portugal, há grandes profissionais do jornalismo, profissionais das reportagens, que arriscaram a vida, que arriscaram tudo, para dar informações ricas em detalhe de “texto”, em detalhes de imagem… foram para a guerra na Ucrânia, para dignificar a carteira profissional que têm.

O que tem isto a ver com a tauromaquia?

Tudo.

O contexto da tauromaquia não é de guerra mas os jornalistas ou pseudo-jornalistas da tauromaquia, envergonham a classe... Vivem num contexto muitas vezes de mentira. De incapacidades, de falta de isenção, de falta de respeito às carteiras profissionais (mas pouco), que afinal de contas, para mais não servem que para redondear um lobby que pretende fechar um ciclo encerrado em si mesmo, para que se possa controlar tudo, todos e na totalidade.

Têm praças, têm toureiros, fazem cartazes, publicidade a troco de cêntimos, opinião manipulada por evidente conflito de interesses, integração nas associações do sector, agora – excursões… isto é o jornalismo feito pelos oportunistas que de quando em vez surgem na tauromaquia, com o apoio de outros iguais, pares na estrutura suja, muito suja. Mas pior, falta de verdade e privilégio na obtenção da informação, atropelando as regras básicas do jornalismo, mais ainda, atropelando a dignidade dos jornalistas na verdadeira e mais completa acepção da palavra.

'Como não colocaste o meu toureiro na temporada, dás-me o exclusivo do lançamento dos cartéis...' - É disto e nisto que estamos!

Choro pelo que perdi mas também valorizo o agora tenho… a dignidade que eu, os profissionais deste site e este site, nunca perderão!

Sou, somos livres!

Também tenho força que baste para ir contra o sistema. É uma promessa!


Editorial - Fevereiro - A competição tem sido cá fora…

Editorial - Fevereiro - A competição tem sido cá fora…

  •  2022-02-20
  • Por: Solange Pinto

A competição é sem lugar a qualquer dúvida, um dos factores que maior interesse pode suscitar por entre os aficionados.

Na e com a arte, não se deveria competir, mas a verdade, é que numa arena, a vontade de “um” se proclamar triunfador em detrimento de outro, faz ou deveria fazer crescer a qualidade exibida, fazer cuidar a preparação prévia ao espectáculo e sobretudo, superar e tornar efectivas as tentativas de improviso face às características que o oponente apresenta, diga-se, o toiro e suas nuances irrepetíveis…

Mas nem sempre assim é… e porquê?

Vamos aos motivos.

O triunfo, agora e de há uns anos para cá, não vale na sua maioria dos casos, repetição no tauródromo onde se alcança sucesso; não significa mais contratações e mesmo, não é sinónimo de conta bancária recheada.

Posto isto, o que sim vale, é a quantidade de praças que os apoderados têm, as alianças que os ditos gestores têm e mais ainda, as trocas que a sua capacidade negocial é capaz de fazer.

Assim sendo, certo é que um toureiro, tem que triunfar em dobro, em triplo ou mesmo em quádruplo para que seja notado, mas, tem que triunfar elevado ao expoente máximo e repetidamente para que, se o seu apoderado não tiver praças de touros o consiga incluir nos elencos diversos…

Resultado final: a competição é afinal de contas e em abono da verdade, feita cá fora. Fora da arena, fora da presença do toiro, fora do olhar do público, mas ainda assim, demasiado às claras para que algum de nós, não possa reparar…

Elevam-se os valores “oferecidos” pelas concessões dos palcos, para que se ganhe “sem espinhas” e assim afastar os “inimigos”… A competição, convençam-se, é cá fora… longe do perigo de queda de um cavalo e colhida…

A par com tudo isto, vale também ter bons relacionamentos com as figuras, que, assim sempre poderão mover influência no sentido de colocar o toureiro “A” ou “B” em determinado cartel e agora ainda também, vale ser pupilo, para que o Mestre o coloque consigo num cartel…

Demasiados factores externos que empurram o triunfo para fora da arena…

Qualquer dia e se não abrimos a pestana, corremos mesmo o risco, da parte mais interessante de uma temporada, ser o defeso, onde se discute quem tem o quê.

Dou um exemplo positivo que contraria tudo isto, e um negativo, que infelizmente corrobora o que escrevi atrás.

O positivo: Salgueiro da Costa encerra-se com seis touros, em Vila Franca. Justo, mais que justo perante a temporada de êxito que protagonizou. Mérito do verdadeiro, do legítimo e protagonismo mais que justificado.

O negativo: Ana Rita, não sei mais que poderá fazer, para que se inclua nas grandes feiras em Espanha e nos grandes cartéis, em Portugal.

De uma vez por todas, espera-se que a temporada se possa fazer, na arena, de frente ao toiro, com o risco e a genialidade dos toureiros a funcionar. Se puder ser com arte, tanto melhor…

Que a temporada não se volte a fazer cá fora, com triunfos inventados, insuflados ou camuflados. Que os triunfos não sejam só aqueles que se escrevem, mas sim aqueles que o público sente de verdade… Triunfar com o público a sair da praça para ir jantar, não é triunfo...!

 

 

 


Editorial de Janeiro - A maçã com bicho!

Editorial de Janeiro - A maçã com bicho!

  •  2022-01-11
  • Por: Solange Pinto

Há qualquer coisa aqui no burgo, que não está bem… Essa ‘qualquer coisa’, simples de ver, é afinal de contas, uma paz podre entre os empresários…

Parece haver petróleo pelos lados do Montijo e Figueira da Foz, mas pior que os valores inflacionados, são mesmo as conclusões que de tudo isto se podem retirar.

A primeira de todas elas, é que afinal, se os valores em jeito de ‘base de licitação’ atraem empresários, a tauromaquia é um negócio muito mais rentável do que os empresários defendem ser… No entanto e em contas rápidas de fazer, percebe-se que com a escassez de patrocínios na tauromaquia, tudo o que gera dinheiro, é única e exclusivamente a bilheteira e essa, fabrica tanto dinheiro assim, a ponto de tornar tudo isto um negócio rentável?

Ou afinal de contas este negócio é para alguns dos eventuais interessados um eficaz mas discreto “detergente”?

Também pode ser e numa segunda análise mais “idiota”, apenas e só uma forma de certos agentes se afirmarem neste mundo, por ser o único que lhes deu “cova” de forma a existirem socialmente.

Mais conclusões de tudo isto.

Para que existe a APET? Não era suposto haver uma concertação entre os seus associados?

Não era suposto, que afinassem todos, pelas mesmas estratégias de forma a defender um bem maior?

É que noutras matérias, já percebemos que os jogos paralelos e as acções individuais são as que imperam.

E a haver interessados (que sabemos que os há…) em gerir nestes moldes as praças da Figueira e Montijo, quem serão os prejudicados no futuro? Toureiros, ganadeiros e claro está, todas as restantes peças incluídas na promoção de um espectáculo.

Mas calma. Há mais prejudicados. Em abstracto, ou não, os aficionados acabarão também e de forma muito discreta, por pagar caro a factura… Os bilhetes subirão, a qualidade descerá ou pelo menos, resultará viciada (disto falaremos muito em breve).

E a Covid-19 e suas condicionantes? Já passou? É que até aqui pediram-se descontinhos aos diversos intervenientes dos espectáculos.

Feitas as contas, no Montijo, a renda do imóvel afecta a cada espectáculo ronda os 10.000 euros.

Na Figueira, aproximadamente o mesmo valor.

As perguntas que se impõem são: a quem interessam estes valores? Os concursos da Figueira e Montijo já foram elaborados desta forma para que se afastassem outros interessados e se favorecessem alguns…? Quem vai perder no futuro?

Enfim, arriscaria em dizer que perdem todos, numa tauromaquia que se pode bem comparar a uma maçã com bicho e apenas duas soluções: ou se corta a parte do bicho e área circundante e se aproveita a maçã sã, ou a maçã apodrecerá na sua totalidade e rapidamente.


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